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Comentários efectuados por Francisco Lima

  • Francisco Lima comentou a entrada "Piloto fica cego durante voo" à 3 anos 1 mês atrás

    Em que pese o risco da operação, uma vez que o piloto estava numa situação de stress extremo, posto que perdeu a visão e em que pese o outro piloto não estar, provavelmente, treinado para orientar pessoas cegas na atividade de pilotar um avião, o ocorrido deixa claro o papel de uma descrição bem feita, clara, correta, específica e, certamente, concisa: (o avião está em grande velocidade e as informações oferecidas pelo descritor devem ser concisas e permitir a tomada de decisão. Esta, uma vez viabilizada pela descrição e objetivada no menor tempo possível, com o mínimo de palavras e o máximo de informações, traduz o que chamamos de empoderamento resultante da áudio-descrição.
    Foi o que ocorreu e o piloto chegou salvo ao solo.
    Bem, isso em nada me espanta, conhecendo, como conheço, os benefícios da áudio-descrição e a capacidade de o cérebro humano produzir imagens e delas fazer uso, quando elas chegam aos ouvidos e tato das pessoas cegas ou que têm baixa visão.
    Se você deseja saber mais sobre esse assunto e descobrir o significado do empoderamento trazido às pessoas com deficiência visual por meio da áudio-descrição, aproveite e venha participar do II Encontro Nacional de Áudio-descrição em Estudo (www.enades.com.br), a ocorrer do dia 2 ao 6 de Maio próximo.
    Divulgue esta informação e, antes de congelar perante os limites que uma deficiência possa trazer a um indivíduo, pense que ele continua sendo capaz, sempre que a sociedade lhe dá as condições e oportunidades.
    Francisco Lima

  • Francisco Lima comentou a entrada "Um surdocego sem papas na língua" à 5 anos 3 meses atrás

    Marco,
    Eu precisaria de uma longa resposta para comentar os muitos e importantes aspectos de sua mensagem, para depois concordar com cada um deles, pois suas palavras traduzem meu entendimento.
    Apenas digo que eu gostaria muito que meus colegas na Universidade, mormente os que dizem ensinar nas áreas da deficiência, dos direitos humanos etc., em lugar de ostentarem seus títulos de doutores, demonstrassem em suas ações o conhecimento que você apresenta em seu comentário.
    A inclusão não é um termo fácil de entender e é ainda mais difícil de colocar em prática, visto que para o fazer, é necessária a mudança de atitude.
    O discurso, portanto, pode estar pleno de “inclusão”, mas se a prática do palestrante não estiver, o discurso fica oco e a falácia logo aparece.
    Outro dia fui a um encontro sobre acessibilidade e escrevi, li e apresentei:
    Se não vai ler, não use texto;
    Se não vai descrever, não use imagens;
    Se sua mídia não é inclusiva, não diga que é.
    Depois disso, assisti palestras e apresentações, ainda com colegas com deficiência visual no ambiente e em outro: slides não lidos, descrições não feitas, acessibilidade denegada.
    Incluir não é um verbo para se conjugar no infinitivo, no passado ou na voz passiva, é para ser conjugado no presente contínuo.
    Abraços e, mais uma vez, parabéns, Marco que, além de poeta, é professor: Marco professor!
    Francisco Lima

  • Francisco Lima comentou a entrada "Um surdocego sem papas na língua" à 5 anos 3 meses atrás

    Marco,

    Palavras sábias e que certamemte vão incomodar os maus profissionais e os operários da indústria da deficiência. Meus parabéns pela honestidade das palavras e clareza mental com que nos abre os olhos, ouvidos, tato e mente para o "uso" da pessoa com deficiência, inclusive no dia da luta dessas pessoas, nós.
    Assim como aí, aqui temos operários da indústria da deficiência aos montes. Eles não sabem do que falam, mas insistem falar por nós; não sabem o que passamos, mas insistem que sabem o que sentimos; eles não entendem de como as barreiras atitudinais nos afetam, mas insistem em dizer que estão ao nosso lado; eles não se dignam a nos ouvir, mas insistem em usar nosso espaço de fala, para negar-nos a voz.
    Amigo, esses operários estão por todos os lados: uns, são meros mandados e atuam como soldados em uma guerra, fazem o que são mandados, sem, contudo, saberem o que estão fazendo; outros, porém, são os generais dessa guerra, mandantes dos exércitos, covardes para fazer, mas exibicionista das medalhas que ganham pelos feitos que dizem ter feito.
    De todo dinheiro prometido para investimento na área da deficiência, se metade revertesse para a prevenção, tratamento, educação e profissionalização da pessoa com deficiência, chegando a ela, bem, aqueles operários não estariam empregados. Que operários? as pessoas operárias da indústria da deficiência. Sim, essas que estão à frente de muitas instituições ou que puxam os cordões das que estão. Exemplo disso posso dar aqui no Brasil, onde temos uma Secretaria de Direitos Humanos, em que a pessoa com deficiência é mal representada, a pesar das promeas econômicas e tudo mais. No discurso, a pessoa com deficiência é contemplada, na prática, algumas pessoas com deficiência são. E elas estão com seus cargos atrelados ao Ministério, à }Secretaria, enfim, aos poderes. Elas comem nas mãos de políticos ou fazem-lhes comer em suas mãos; elas são os próprios políticos ou almejam estar nesse meio etc.
    Abraços do amigo, igualmente sem papas na língua.
    Francisco Lima

  • Francisco Lima comentou a entrada "Um Ministro com deficiência no STF Implica em Justiça, Também Para Pessoa Humana Com Deficiência" à 5 anos 11 meses atrás

    Oi Michele,
    Entendo bem o que você diz e, de fato, concordo com você que os ventos políticos não sopram pela inclusão.
    Não obstante, somos milhões e se formos efetivamente exigentes, certamente faremos a diferença.
    De qualquer modo, fossem apenas as pessoas com deficiência votar, elegeríamos bem mais que senadores. E não podemos desconsiderar que conosco estão nossos pais, filhos, irmãos, amigos e muita gente que não reza pela cartilha da indústria da deficiência.
    Apenas acho que é ridículo o papel de algumas instituições que se dizem em favor da pessoa com deficiência, de pessoa com deficiência, para pessoa com deficiência, sequer expressar-se em favor de uma indicação de Ministro que esteja com a pessoa humana com deficiência; que não deixe dormir ações no STF, as quais têm, por lei, direito à tramitação prioritária etc.
    Ocorre que o sentimento de impunidade é tão grande e comum neste país, que agora mesmo tenho uma decisão liminar na Justiça Fedral em Pernambuco, a qual não foi/não está sendo respeitada, em nenhuma letra.
    Ora, um Supremo que desse o exemplo, não permitiria que instituições federais descumprissem uma ordem judicial, de forma tão descarada assim, percebe?
    E os magistrados de instâncias outras, seriam mais condizentes com a Constituição e a Convenção Sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, julgando rápida e concretamente em benefício da justiça humana, não da económica, como temos visto alhures.
    Assim, se rompermos com as peias da tutela mal feita por instituições, muitas das quais presididas por pessoas com deficiência sem currículo e sem outras tantas coisas, como vergonha e caráter (quem nunca soube de mal uso das verbas destinadas para instituições e que não foram empregadas como deviam?), poderemos, sim poderemos ter Ministro com deficiência, a pesar dos podres poderes, poderemos ter instituições que trabalhem, de fato pela inclusão (neste caso os dirigentes não poderão receber salários ou indicar sócios para o fazerem) e só, então, poderemos ver pessoas com deficiência sair da pobreza e da ignorância, sem terem de ficar "obrigados" com políticos travestidos de dirigentes, de presidentes de desta ou daquela instituição, de Secretários desta ou daquela coisa humana etc.
    Não é atoa que o tema deste ano é Quebrar Barreiras e Abrir Portas.
    Que façamos isso, que arrombemos as portas se isso for necessário, mas que não nos deixemos calar sob a força de políticos e seus serviçais.
    Sim, afirmo, temos grandes instituições com grandes pessoas à frente delas: pessoas sérias e bem intencionadas; temos até políticos bem instruídos e fazendo papel digno do exercício que o povo lhes confiou, mas até aí temos, por vezes, os apoiadores, com e sem deficiência que obram pela indústria da deficiência. E, neste caso, essas instituições e seus dirigentes, esses políticos e sua boa intenção devem estar alertas para não serem usados, serem ludibriados.
    Em suma, cara Michele, cabe-nos abrir as portas de nosso peito e falar contra este estado de coisas; abrimos nossas mentes e reconhecermos os que nos querem fazer de todos; temos de quebrar barreiras atitudinais, começando com aquelas que tentam dizer que os que ousam falar com o poder estabelecido é "revoltado" e passarmos a lutar pela revolução que liberta a pessoa com deficiência, colocando-a como executora de seus direitos, detentora das armas que a permitem ser humanas com a dignidade de que foi dotada ao nascer e que ninguém pode dela retirar.
    Viva a revolução da inclusão, viva a tomada de consciência!
    Francisco Lima (14.246.913-0)

  • Francisco Lima comentou a entrada "Professor Francisco Lima Sai da Coordenação do Centro de Estudos Inclusivos da UFPE. " à 5 anos 11 meses atrás

    Evely, obrigado pelas palavras.
    Há vários meios de se combater a indústria da deficiência. Uma delas é deixar que os seus operários disputem a carne entre si.
    A área da deficiência nunca recebeu tanta verba como nos últimos anos e, certamente, há um tanto de gente de olho e mãos nisso, nesse exato momento.
    De outro lado, minha saída do CEI vem em boa hora, já que sangue novo poderá dar vida e atuação ao Centro, o que nãu pude fazer, ou fui competente para o fazer.
    Apenas espero que os colegas possam fazer para as pessoas com deficiência, mais do que colocar-lhes tapetes no caminho ou outras firulas de que se comprazem os olhos políticos, mas não respondem à necessidade do estudante com deficiência.
    Por fim, sempre temos o Ministério Público, o TCU e a Secretaria dos Direitos Humanos, os quais saberão verificar se as verbas do Viver Sem Limite estão sendo empregadas da melhor forma, ou apenas de alguma forma.
    Cordialmente,
    Francisco Lima

  • Francisco Lima comentou a entrada "Roberto W Nogueira Fala sobre as Cotas" à 6 anos 3 meses atrás

    Caro filósofo,
    Bom que tenha sido assim para você.
    De minha parte, acho que nossos leitores podem tirar as conclusões que desta discussão derivam.
    Cordialmente,
    Francisco Lima

  • Francisco Lima comentou a entrada "Roberto W Nogueira Fala sobre as Cotas" à 6 anos 3 meses atrás

    Reconhecer a Posição de Desvantagem é o Primeiro Passo para Lutar Contra a Desigualdade

    Prezado,
    Sua história é provavelmente muito próxima das de muitas outras pessoas que fazem parte do um porcento de que tratei na outra mensagem. Por isso eu dizer que devemos lembrar de nossa história para lutar pela transformação da sociedade, não para promovermos a continuidade de um modelo excludente, apenas para darmos ainda maior valor aos feitos que fizemos nesta guerra que é a vida: batalhas ganhas, batalhas perdidas, corpos sãos, almas feridas.

    Você diz:
    "Estudei a vida toda em escola pública, mas tenho certeza de que se não possuo mais conhecimentos em ciências exatas, por exemplo, foi porque não me dediquei suficientemente a elas, pois sempre apreciei as ciências humanas, mas também porque inúmeras vezes, simplesmente negligenciei meus estudos em geral. Se cursei filosofia ao invés de outro curso detentor de maior status, foi porque eu me apaixonei por ela e a escolhi."

    Meu caro filósofo, é possível que tenha, como disse, negligenciado seus estudos, mas é é bem mais provável que não tenha sido isso que ocorreu. Afinal, com sua história, se chegou onde chegou, foi porque fez exatamente o contrário, uma vez que a história estava contra você.
    Muitas pessoas com deficiência ouviram, anos, aós anos, que eram incapazes, que não se saíam melhor nos estudos, exatamente porque não se dedicavam mais a eles, que não eram melhores porque eram incapazes de o ser etc. Muitas pessoas com deficiência acreditaram no que disseram a elas. Mas, o que nunca disseram é que elas não tinham igualdade de condições para alcançar o máximo de suas capacidades, para desenvolver suas potencialidades. O que nunca disseram a elas é que elas competiam num mundo desinhual, não por conta de suas deficiências, mas por conta de um modelo meritocrático que não previa dar, respeitar, garantir as condições para que as pessoas com deficiência pudessem mostrar seu mérito.
    E tudo isso, foi e tem sido experienciado pelas pessoas com deficiência, sem que elas, nem sempre se deem conta do que estão fazendo/fizeram com elas.
    Não tenho dúvida que se você tivesse as condições de que necessitava teria se tornado um grande matemático, um engenheiro ou outro profissional que desejasse ser. Todavia, o que lhe reservaram foi o curso de filosofia. Gostou dele, o fez, muito bom para você. Mas, uma escolha profissional não pode ser imposta pela não oferta de condições de se tentar outras. Isso é o que estamos tratando, ao falarmos de Cotas: darmos as condições de as pessoas serem o que querem e podem ser. o que não estamos falando é impedir que sejam, meramente porque são, como o colega é, um cidadão cego.

    Você diz:
    "Quanto à questão das estatísticas, eu acreditarei nela se me apresentares dados, algo mais plausível, pois infelizmente não acredito que apenas 1% da população que adentra às universidades seja rica e branca."
    Ninguém acredita nisso! Em um tempo não tão longínquo, 99 porcento das vagas universitárias eram preenchidas por pessoas tidas como da classe dominante, logo, com as características sociais, raciais, políticas e religiosas que mencionamos em nosso outro post.

    Você diz:
    "Não consigo ver isto senão como discurso de negro que tem preconceito consigo próprio, que nem mesmo aceita ser chamado de neguinho, ou de governos paternalistas, que alimentam sua popularidade a custa da distribuição de peixes, quando na verdade, o que lhe cumpriria fazer seria dar um bom material de pesca."
    Interessante que você trouxe o exemplo racial, referindo-se à pessoa negra, não é? Chamar pessoas por um predicativo fenotípico, mormente no diminutivo é pejorativo, daí as pessoas negras querem ser chamadas pelo que são: Paulo, Joana, Cristiana etc. A substantivação de uma característica, tomando o todo da pessoa como sendo uma de suas partes é igualmente preconceituoso, daí as pessoas negras quererem ser chamadas pelo que são: pessoas humanas, as quais, a propósito, são altas, baixas, magras, gordas, negras, nordestinas etc. Alguém sai por aí gritanto para um motorista que fez algo errado no transito: "Hei, seu branco, vá aprender a dirigir!"
    Meu caro filósofo, releia o que escreveu e pense um pouco se pelo fato de você ser cego, você quer ser chamado por seus colegas de trabalho: "Cego, ceguinho, chegou sua correspondência" ou "cego, ceguinho, pega a frauda de seu filhinho que eu vou trocar-lhe estas". Será que em lugar de "pai?" você quer que seu filho o chame: "ceguinho?".
    Não, sei que não, ainda que não admita, ainda que diga que não tem problema nenhum em ser chamado de cego, pois cego é. Assim, não queiramos que uma pessoa negra se sinta bem em ser chamada de "negrinha", alegando que, porque ela não gosta, ela que é preconceituosa. Isso é, no mínimo, um grande desconhecimento do que significa preconceito, discriminação, barreira atitudinal.

    Você diz:
    "note que ao dizer isto eu não me refiro somente às cotas, mas a outros benefícios que em minha opinião são injustos."
    O bom de uma sociedade democrática é que se pode ter todo o tipo de opinião, não é?

    Você diz:
    "Outra afirmação sobre a qual eu também gostaria de obter dados, é sobre a paridade entre alunos oriúndos das cotas e os _ricos e brancos_"
    O amigo é filósofo, um universitário, um profissional oriundo da academia, certamente terá condições de fazer uso de seu leitor de telas para dar uma boa olhada na www.google.com.br e buscar tais dados, mesmo porque, como eu disse em outro post, até para falar contra as cotas se a deve estudar.

    Você diz:
    "Acredito que deves ser professor, e como tal, deves saber que grande quantidade dos docentes de ensino público, também leciona na educação privada. Então eu pergunto: o que as difere?
    Eu mesmo responderei: metodologia; estímulos; tenho absoluta certeza de que se nossos governantes quisessem, teríamos uma educação pública de qualidade, como já tivemos um dia."
    Fazer as perguntas e respondê-las é um bom exercício, mas são os governantes que ensinam? São eles os que foram seus professores na Universidade? São eles os filósofos com quem você estudou? Tercerizar a má qualidade da educação, culpando este ou aquele governo é muito cômodo. Assumir nossa participação nessa baixa qualidade, aí já não é fácil, não é? Imagine que você seja professor, será o governante o culpado de suas aulas srem boas ou más? Afinal, os governantes foram, um dia, nossos alunos, não foram?

    Você diz:
    "Outra coisa: quando você fala em incompetência, não é a mesma coisa a que me refiro, pois o que eu menciono chama-se despreparo, o que em minha opinião não é o mesmo que incompetência.
    Bem, nisso concordamos. E, mais uma vez, defendo seu direito de ter e manifestar sua opinião. Afinal, é essa a beleza de uma sociedade democrática e plural.

    Você diz:
    "Eu posso ter competência (capacidade) suficiente para entrar numa universidade, mas não estar preparado para tal, por não ter recebido uma educação de qualidade."
    Caro filósofo, não estar preparado para entrar em uma universidade não é o problema grave. Grave é não estar preparado para a vida, depois de dela sair. Dadas as condições e oportunidades, independentemente das origens, todos poderão aprender e chegar aos níveis mais elevados, consoante suas habilidades, sua competências, seus desejos. O que estamos tratando aqui é de impedir que pessoas tão competentes estejam na universidade, meramente porque não fazem parte de grupos dominantes diversos. Filosofia pura!

    Você diz:
    "Infelizmente, temos uma educação lamentável, e eu posso dizê-lo com conhecimento de causa,"
    E nisso acho que não vou poder contrariá-lo.

    Você diz:
    "Quando estudava, há não muito tempo, cerca de 10 anos, via chegar ao fim do ensino fundamental alunos que sequer sabiam bem as 4 operações básicas da matemática, que liam tropeçando nas palavras, etc., e isso não era uma exceção.
    É esse tipo de aluno que queres ver em nossas universidades? Eu não!"
    Filósofo, quero ver na Universidade todos os que lá desejem estar, todos que lá precisem estar, todos que lá têm o direito de lá estar. Uma vez na Universidade, poderão aprender o que os seus professores não não ensinaram. Não podemos penalizar o estudante, pela baixa qualidade dos professores que tiveram, não é?
    Meu caro filósofo, não quero ver ninguém fora da Universidade apenas porque vem desta ou daquela classe econômica, desta ou daquela origem racial, ou que tenha esta ou aquela deficiência.
    Agora, meu caro filósofo, o que não quero mesmo, é ver saindo da universidade, pessoas despreparadas para enxergar a exclusão que grande parte da sociedade sofre, com a dominância de alguns; que não quero ver, de fato, é sairem da Universidade, pessoas que não percebam que poderiam ter sido o que quisessem, ter sido mais e melhor, fossem-lhes respeitados direitos, dado-lhes as condições, garantido-se-lhes a oportunidades.
    Por fim, o que quero, mesmo, é não ver sairem da Universidade pessoas que não se deem conta de seu papel de transformação social, de contribuição para uma sociedade mais inclusiva e menos excludente.
    Cordialmente,
    Francisco Lima

  • Francisco Lima comentou a entrada "Roberto W Nogueira Fala sobre as Cotas" à 6 anos 3 meses atrás

    Destituirmo-nos de Barreiras atitudinais a respeito das Cotas é o primeiro passo para as analisarmos.
    Era comum que apenas um porcento das pessoas menos abastadas, leia-se pobres, negros, mulheres, indígenas e pessoas com deficiência também, aparecesse nas estatísticas de entrada na Universidade. Por sua incompetência que um número maior deles não entrassem na Universidade? Certamente que não.
    Mas era apenas um porcento de toda essa população, lembremos que no Brasil, 46 milhões de pessoas têm algum tipo de deficiência, que entravam na Universidade, saindo menos que esse porcentual. Por serem incompetentes? Certamente que não.
    E assim se deu durante décadas, sem que ninguém reclamasse de que a população predominantemente rica e branca, formada de homens sem deficiência e de origem europeia detivesse 99 porcento das cotas de entrada na Universidade.
    Óbvio que dentro daquele um porcento existiam pessoas com deficiência, quiçá uma mulher negra e nordestina. Mas, isso seria ainda mais raro, dado o caráter machista e discriminatório contra as mulheres, contra as mulheres negras, contra as mulherese negras nordestinas, contra as mulheres negras, nordestinas com deficiência.
    E ninguém reclamava de 99 porcento das cotas estarem com as pessoas ricas e brancas, de origem europeia, algumas judaicas e outras orientais.
    Enquanto 99 porcento das cotas eram para essas pessoas, muitos dos um porcento que conseguiram furar essa bolha e entrar, nem sempre por mérito, na Universidade, esqueceram-se de que tinham amigos, colegas, parentes, conhecidos que tinham tanto conhecimento e capacidade como si e que poderiam estar igualmente na Universidade, mas que ali não estavam, pois 99 porcento das cotas estavam com os ricos brancos, predominantemente de origem europeia. E eram assim por serem estes melhores, terem mais mérito do que os demais? Certamente não. Eles detinham o poder econômico; detinham o poder religioso; detinham o poder político; detinham o poder educacional deste País, como ocorre em muitos outros, inclusive na Europa e, aqui mesmo, hoje e agora, como estamos vendo.
    Estudos têm mostrado que as pessoas que entram pelas Cotas têm melhor desempenho que seus pares, isso é o que ocorre com maior frequência, quando não, o desempenho é igual aos demais.
    Há um preceito Romano, o qual um filósofo deve conhecer, que diz do tratamento desigual para igualar em condições e oportunidades. Esse preceito assim foi inteligentemente alcançado por uma razão e não é a de tomar alguns porcentos dos 99 porcento dos brancos ricos sem deficiência, nem para privilegiar alguns 10 ou 12 porcento de pessoas em situação de vulnerabilidade, foi alcançado porque filósofos ou não, somos pessoas humanas e ninguém pode sobrepor-se ao outro, meralmente por razão de origem geográfica, econômica, linguística, racial, religiosa ou de qualquer outra forma ou outro motivo. E isso, também inteligentemente foi alcançado e está na Carta dos Direitos da Pessoa Humana, Carta de 48.
    Por fim, será que há tanto mérito assim, dizer-se possuidor deste ou daquele título, ao qual se alcançou se não for para dele fazer o bem para os que não tiveram melhor sorte que a nossa, inclusive lutando para que tenham oportunidades que foram negadas a pessoas com bem mais méritos que nós próprios?
    Cordialmente,
    Francisco Lima

  • Francisco Lima comentou a entrada "Loja Terá que Pagar Indenização por Discriminar Pessoa com Deficiência. " à 6 anos 4 meses atrás

    Ceu, obrigado.
    Então, precisamos, mais e mais pessoas entrarmos com ações contra os abusos a que temos sido submetidos, para que possamos ver nossos direitos serem observados, respeitados, garantidos. Devemos pedir danos morais e fazer ver os que nos discriminam que não mais nos acovadaremos perante a troculência deles. Só doendo-lhes nos bolsos serão civilizados no que nos concerne.
    Abs,
    Francisco Lima

  • Francisco Lima comentou a entrada "Loja Terá que Pagar Indenização por Discriminar Pessoa com Deficiência. " à 6 anos 4 meses atrás

    Pois é, minha cara.
    Tenho colocado na seção Notícias da www.direitoparatodos.associadosdainclusao.com.br algumas notícias como esta, a da pessoa surda que ganhou na Justiça direito a danos morais, por falta de legenda em filme, no cinema de Belo Horizonte e muitas outras.
    Se quiser, venha visitar-nos.
    Será um grande prazer ter visitas dos amigos da www.lerparaver.com conosco também.
    Obs.: Para usuário de leitores de tela, é só dar H no NVDA, até notícias e, então, K, ou seta para baixo.
    Obrigado por comentar,
    Francisco Lima

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