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Deficiência visual

Três dias para ver

por Lerparaver

Por Helen Keller

O que você olharia se tivesse apenas três dias de visão?

Helen Keller, cega e surda desde bebê, Dá a sua resposta neste belo ensaio, Publicado no Reader’s Digest (Seleções) há 70 anos.

Várias vezes pensei que seria uma benção se todo ser humano, de repente, ficasse cego e surdo por alguns dias no princípio da vida adulta. As trevas o fariam apreciar mais a visão e o silêncio lhe ensinaria as alegrias do som.

De vez em quando texto meus amigos que enxergam para descobrir o que eles vêem. Há pouco tempo perguntei a uma amiga que voltava de um longo passeio pelo bosque o que ela observara. “Nada de especial”, foi à resposta.

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Ver sem olhar

por Lerparaver

Nota da "LERPARAVER":

Não é habitual a publicação neste site de artigos ou trabalhos feitos por pessoas não ligadas à deficiência visual. No entanto, o que a seguir se mostra é uma excepção, uma excepção honrosa.

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A imagem da classe - um caso real

por Lerparaver

Ana Maria Fontes

Recentemente uma colega de trabalho convidou-me a depor sobre a minha experiência de vida enquanto pessoa cega de nascença para três professoras normovisuais que frequentavam um curso de aprendizagem do sistema braille.

Entusiasmada com o interesse do meu pequeno auditório, esqueci que o tempo não passaria mais devagar para nos ouvir; por isso, quando enfim o estômago nos impôs disciplina, dirigi-me apressadamente para a paragem na esperança de que um atraso providencial me permitisse ainda apanhar o autocarro que eu queria. Mas a providência castigou-me, talvez por eu ter sacrificado ao brio profissional as necessidades da família que me esperava para almoçar.

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Sopro no corpo - vive-se de sonhos

por Lerparaver

Por MAQ - Marco António de Queiróz

Orelha do livro

Marco Antonio de Queiroz descobriu-se diabético aos três anos, sofreu com o fantasma da impotência ainda jovem, ficou cego aos 21 e teve de enfrentar dois transplantes: de rim e pâncreas. Porém, quem espera se debulhar em lágrimas ao ler este livro terá uma decepção (ou, melhor, uma boa surpresa), pois Marco Antonio optou por narrar sua vida da mesma forma que a leva, com bom humor e suavidade. Em momento algum o autor demonstra pieguismo e autocomplacência ou ousa dar lição de moral, mas não há como não tirar uma lição de vida desta sua narrativa simples e direta.

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Algumas considerações a respeito da necessidade de se pesquisar o sistema táctil

por Lerparaver

FRANCISCO JOSÉ DE LIMA E JOSÉ APARECIDO DA SILVA

Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto - USP

Minicurrículo

Francisco J. Lima (M.A.)

"Psicólogo com Licenciatura em Psicologia pela UNESP/Assis

"Mestre em Psicologia (área de Psicofísica Sensorial) pela FFCLRP/USP

"Doutorando em Psicologia (área de Psicofísica Sensorial) pela FFCLRP/USP

"Membro Internacional do TRG (Tactile Research Group)

"Sócio Colaborador da ABEDEV (Associação Brasileira de Educadores de Deficientes Visuais)

e-mails: limafj@usp.br / limafj@uol.com.br

Universidade de São Paulo

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A preeMminência da visão: crença, filosofia, ciência e o cego

por Lerparaver

Francisco José de Lima

Rosângela A. Ferreira Lima

José Aparecido da Silva

Resumo

O presente trabalho apresenta crenças e embasamentos filosóficos que permeiam pesquisas científicas sobre o reconhecimento háptico de configurações bidimensionais, demonstrando que muitas dessas pesquisas vêm corroborar premissas enviesadas provindas dessas crenças. Mostra ainda que actualmente pesquisadores têm se libertado da visão aristotélica sobre a preeminência do sentido da visão, o que tem permitido o surgimento de nova compreensão do sistema háptico e da capacidade desse sistema no reconhecer figuras planas.

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Questão de postura ou de taxonomia?

por Lerparaver

Por Francisco José de Lima

Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto - USP

Resumo
O presente artigo discute algumas posturas correntes, porém muitas vezes despercebidas, no trato de pessoas portadoras de limitação visual. Dá exemplo de pessoas que superaram limites e desempenharam seu mister com eficiência e extraordinariedade. Faz um alerta para o perigo da super protecção às crianças cegas, e da visão de que os cegos têm poderes sobrenaturais. Por fim, propõe mudanças de postura para com as pessoas portadoras de limitação visual, e destas perante si mesmas e o mundo que as cerca, tendo como base a diferença entre limitação e deficiência e a crença na potencialidade e diversidade das pessoas.

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Renascer

por Lerparaver

Por José Adelino Guerra

Sentado numa cadeira de espaldar alto, tamborilava os dedos na parte lateral do couro rijo que formava o assento. O gesto era esquecido, porque o pensamento flutuava por entre sucessivas imagens que eu não conseguia suster. Aquela casa desconhecida, de aspecto austero, intimidava-me.

O anafado recepcionista que abrira a porta, de pois de saber ao que vínhamos, havia apontado com o seu gorducho indicador as rígidas cadeiras e fizera um sussurrado telefonema. Finalmente disse: o senhor doutor manda aguardar.

Aguardámos. Vindos do outro lado do balcão, chegavam até mim os estalidos inconfundíveis das comutações de uma velha central telefónica, que repetidas vezes eram interrompidas pelo som de uma estridente campainha, ao qual respondia sempre a voz timbrada de um homem.

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O último olhar

por Lerparaver

Por José Adelino Guerra

O ruído do motor tornou-se mais nítido e, súbito, o pequeno avião monomotor surgiu num voo rasante sobre os telhados. Por duas ou três vezes traçou círculos apertados e, finalmente, rumou ao Sul, recuperando altitude. Quando o seu único tripulante lançou um último olhar para trás, vendo o casario afastar-se, não podia saber que era a derradeira vez que olhava a sua terra natal.

O avião, de cor prateada, com largas faixas vermelhas na cauda e nas asas, assemelhava-se a uma gigantesca ave de penas coloridas, deslizando tranquilamente ao Sol daquele início de Verão, indiferente à pequenez dos que se arrastavam no solo.

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A escola no contexto da vida

por Lerparaver

Por Elizabet Dias de Sá

A história de minha família é típica da maioria da população brasileira. Meus pais vieram do interior de Minas Gerais para tentar a sorte na capital. Estabeleceram-se como comerciantes na periferia de Belo Horizonte. nossa vida seguia seu curso de acordo com apelos e demandas de sobrevivência. O trabalho sempre foi um dos principais valores cultivados e a escola um ideal acalentado por minha mãe que ousou desafiar a realidade, sonhando garantir para os filhos o que lhe fora negado.

Somos oito irmãos dos quais cinco perderam gradualmente a visão.

Sempre necessitamos de recursos ópticos e outras alternativas quase sempre improvisadas ou inexistentes. Actualmente bengalas, guias humanos, sistema Braille, gravadores, livros falados, ledores e computadores fazem parte da parafernália indispensável em minha vida diária.

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