Olá,Decidi escrever a pedido de um amigo sobre as descriminações vividas por alguns alunos portadores de deficiência visual.
É importante pensarmos que ainda hoje há pessoas que fazem um emprego muito sério para pessoas portadoras de deficiência visual com alguma dificuldade, ou porque não gostam ou porque não tiraram o curso.
Esse meu amigo ligou-me na quarta-feira à noite para o instituto muito desanimado porque o professor de mobilidade disse-lhe que ele tinha um sentido de orientação horrível. Parece-me que um comentário desses não deve ser feito, porque em primeiro lugar fará com que um aluno fique inseguro, e porque não se sente apoiado por ele.
Outra coisa muito importante é a falta de descrição. É prejudicial em alguns casos, porque o aluno cego não consegue imaginar o caminho por onde anda. Dizer: segue em frente, viras à direita... e o que está ao lado? como é uma ponte? por vezes atravessam pontes e não sabem como é o formato.
Esse meu amigo é o Tiago Duarte, que está a ser acompanhado na Ariosa. Quando ele me falou disto, fiquei um pouco admirada e pensei: como é possível?
Corrige-me, Tiago, se estiver errada em alguma coisa.
Graças a Deus, sempre tive sorte com os professore de Mobilidade. Deram-me coragem para aprender novos trajectos, para aprender a andar nos transportes públicos... e acho que já disse aqui uma vez que foi dificil. Mas hoje sinto-me feliz por isso.
Mas nunca me disseram: o teu sentido de orientação é horrível! eu sabia por mim própria que era verdade. quando me ensinavam a ir para um sítio, por vezes enfiava-me por parques adentro, uma vez perdi-me num jardim... mas dava conta do erro. Umas vezes era eu própria que notava, outras vezes era o professor que me chamava... ufa! foi impressionante! Mas diziam que isso com o tempo ia desaparecendo... porque se naquele momento em que eu própria desanimava me dissessem que sentido de orientação horrível! nunca mais queria saír à rua. Acho que dificuldades já há q.b, não é preciso atirarem coisas desse género às pessoas.
