O que é síndrome de Marfan?

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O que é síndrome de Marfan

A Síndrome de Marfan é uma doença do tecido conjuntivo descrita por um pediatra francês, Antoine Bernard-Jean Marfan, em 1896.

Com este primeiro relato e outros subseqüentes, ficou estabelecido que se tratava de uma doença genética com transmissão autossômica dominante, com expressividade variável intra e inter familial, sem predileção por raça ou sexo, que mostra uma prevalência de 1/10.000 indivíduos. Aproximadamente 30% dos casos são esporádicos e o restante familiar.

Em outras palavras, sabemos que a doença é genética porque podem existir várias pessoas afetadas na família e denomina-se autossômica dominante porque apenas uma mutação em um dos alelos é necessária para ocorrerem as manifestações clínicas. Todos nós temos 46 cromossomos (o conjunto de material genético), ou seja, 23 pares de cromossomos, um herdado da mãe e o outro do pai. Esses pares de cromossomos são iguais e os genes ocupam sempre o mesmo lugar em ambos.

Cada gene que ocupa o mesmo lugar é chamado de alelo. Assim, uma mutação (alteração no código genético) em apenas um dos alelos é necessária para observarmos as características clínicas em uma doença autossômica dominante. Esta mutação pode ter sido herdada, e então ou o pai ou a mãe deve ter manifestações clínicas também, ou ter acontecido pela primeira vez, à qual chamamos de mutação nova. Uma vez portador da mutação e das características clínicas a chance de transmiti-la para os filhos é de 50%.

A Síndrome de Marfan tem um quadro clínico muito variado observado em uma mesma família e em famílias diferentes. A este fato chamamos de expressividade variável e ele é importante porque nem sempre um indivíduo afetado tem todas as características clínicas. Por isso é necessário examinar cuidadosamente os pais e os familiares próximos. Da mesma forma que um indivíduo discretamente afetado pode vir a ter um filho muito acometido, ou vice-versa.

As principais manifestações clínicas da doença concentram-se em três sistemas principais: o esquelético, caracterizado por estatura elevada, escoliose, braços e mãos alongadas e deformidade torácica; o cardíaco, caracterizado por prolapso de válvula mitral e dilatação da Aorta; e o ocular, caracterizado por miopia e luxação do cristalino. A essa possibilidade de atingir órgãos tão diferentes denomina-se pleiotropia.

Sabendo que um determinado gene seria o responsável por estas manifestações clínicas e que um gene sempre comanda a fabricação de uma proteína, os pesquisadores se concentraram em descobrir que proteína seria comum aos ossos, olhos e coração, e no final dos anos 80 descobriram a existência de uma proteína chamada fibrilina, que faz parte do tecido de sustentação dos órgãos. Ela está presente em grande quantidade nos ligamentos que unem os ossos nas articulações e seguram as lentes dos olhos, chamadas de cristalino, ssim como na camada interna das artérias, principalmente da maior artéria do corpo humano, chamada de aorta.

Quando a fibrilina está deficiente os ligamentos e as artérias tornam-se flácidos. A flacidez nos ligamentos articulares leva a hipermobilidade articular e a uma perda na contenção do crescimento dos ossos. Desta forma, eles crescem demais e deformam-se. Por sua vez, o ligamento de sustentação do cristalino frágil leva à mobilidade da lente (subluxação) podendo até se romper (luxação). No coração, o sangue que sai com muita força a cada batimento cardíaco é ejetado diretamente na aorta e esta vai se dilatando e pode até chegar a romper-se.

Através de técnicas de pesquisa do DNA em famílias chegou-se à conclusão de que o gene que fabricava a fibrilina estava localizado no cromossomo 15 e posteriormente, em 1993, uma pesquisadora brasileira, Dra. Lygia Pereira, conseguiu obter toda a seqüência do gene e dar o nome de fibrilina-1 (FBN-1). Dra Profª PHD Ana Beatriz Este gene é muito longo, constituído por 65 seqüências codificadoras chamadas éxons. Desde esta data, foram identificadas mais de 200 mutações diferentes entre elas as relatadas por um estudo brasileiro concluído em 1997 pela Dra. Ana Beatriz A. Perez. Apesar dos esforços pouco se descobriu sobre a correlação entre as diferentes mutações e as manifestações clínicas. Até o momento sabe-se que mutações no meio do gene causam uma forma da doença muito grave, chamada até de letal porque a criança já nasce com dilatação da aorta e demais características. Na região final do gene as mutações parecem correlacionar-se com quadros clínicos leves. Além disso, as mutações são quase sempre exclusivas de uma determinada família.

O estudo do gene permitiu também aos pesquisadores a constatação de que quadros parecidos e muitas vezes caracterizados por uma única manifestação clínica apresentavam mutação no gene fibrilina-1. Nesse momento nasceu o conceito das “fibrilinopatias”, ou seja, doenças causadas por mutações no gene fibrilina-1, que podem ter uma combinação diferente dos sintomas da Síndrome de Marfan clássica assim como estar associadas com manifestações menos comuns ou não relacionadas a princípio.

A análise molecular do gene ainda é difícil, uma vez que seqüenciar ou ler o gene todo é muito trabalhoso, demorado e caro. Ao mesmo tempo, os métodos de identificação de suspeita de mutação mais comuns identificam aproximadamente 20% das mutações e métodos como o dHPLC são muito caros e de difícil acesso.

Válvula Mitral

A válvula mitral encontra-se localizada entre o ventrículo e o átrio esquerdos e sua função é deixar passar adiante o sangue na direção do ventrículo esquerdo e não permitir seu retorno ou refluxo ao átrio.

Na Síndrome de Marfan, a válvula mitral, freqüentemente, se apresenta alterada, espessada, redundante e com prolapso de parte dela para o interior do átrio esquerdo. Este prolapso pode levar a disfunção importante da válvula com vazamento ou refluxo significativos. Estas alterações são avaliadas através do exame clinico e do ecocardiograma, e também são passiveis de correção cirúrgica. Uma possível complicação do prolapso valvar mitral é a endocardite, ou seja, a infecção bacteriana da própria válvula mitral, motivo pelo que se recomenda a profilaxia para endocardite através da administração de antibióticos antes de qualquer procedimento médico como uma extração dentária ou uma cirurgia.

veja os cuidados com os dentes que você deve ter. são mais suscetíveis a cáries e doença periodontal. O tecido conjuntivo é afetado, provocando alterações na arcada e no palato. Isso afeta diretamente os dentes e suas funções.

O palato (região do céu da boca) em forma de V, provoca apinhamento dental, mordida cruzada e, comumente, desvio do alinhamento normal. Há maior ocorrência de maloclusão classe II.

Os portadores da síndrome de Marfan têm as maxilas estreitas e palato em formato de ogiva. Estes formatos podem criar problemas dentais e ortodônticos. Para uma eficaz correção dos dentes, você deve informar ao dentista que seu filho é portador da síndrome. Os pacientes com prolapso da válvula mitral e/ou válvulas artificiais de coração estão em risco de contrair endocardite(infecção do coração e das válvulas do coração) ao fazer cirurgias dentais. Antes de qualquer procedimento cirúrgico, o médico ou dentista devem ser informados, caso você seja portador da síndrome de Marfan. Assim, você será medicado corretamente. Existem tratamentos profiláticos para endocardite.

Todos os portadores da síndrome devem ter uma correta higiene bucal diária para evitar complicações quanto a endocardite. Os cuidados na prevenção são essenciais no tratamento odontológico.

Um desses cuidados é a antibioticoterapia profilática (tomar antibiótico antes do tratamento odontológico). Cirurgião-Dentista e Cardiologista devem trabalhar em conjunto. É muito importante realizar o maior número possível de intervenções por visita ao consultório a fim de diminuir a ingestão de antibióticos.

A prevenção de cárie e doença periodontal torna-se primordial, desde a boa escovação, uso de fio dental, bochechos com flúor e a troca freqüente de escovas. Isso porque as bactérias se alojam na escova, tornando risco de infecção gengival e até mesmo endocardite.

Tenha em mente que, embora o portador da Síndrome de Marfan necessite de cuidados especiais, nada impossibilita o tratamento odontológico.

A Aorta

A artéria aorta é a maior e principal artéria que sai do coração. Ela conduz o sangue oxigenado para o resto do organismo e com este fim a aorta recebe com cada batimento cardíaco o fluxo sanguíneo proveniente do coração.

No curso da vida a aorta deve acompanhar o crescimento do individuo. Acontece que, na Síndrome de Marfan, devido ao esforço constante a que ela e submetida e a debilidade da parede aórtica decorrente do defeito na fibrilina, a largura da aorta, especialmente na porção inicial pode apresentar um crescimento excessivo, predispondo a várias complicações potencialmente graves, como a dissecção aórtica ou a insuficiência da válvula aórtica (a válvula aórtica forma parte da porção inicial da artéria aorta). Estas alterações aparecem mais freqüentemente a partir da terceira década de vida, porém, podem ocorrer mais precocemente. Eventualmente os pacientes portadores da Síndrome de Marfan necessitam da correção cirúrgica destas complicações. Por este motivo, se não existe contra-indicação, todos os pacientes portadores da Síndrome de Marfan devem receber medicação para diminuir a freqüência e a força dos batimentos cardíacos, no caso, são utilizados os betabloqueadores tais como o atenolol ou propranolol.

Valvula Mitral Marfan

Embora raros, nos casos pode haver também problemas de mal funcionamento na vávula tricúspide e pulmonar

Junto com as limitações de ordem ortopédica, as alterações na aorta constituem-se motivos pelos que a prática de exercícios físicos competitivos é desaconselhada para todos pacientes portadores da Síndrome de Marfan.

Alterações Cardiovasculares

Coração Marfan A Síndrome de Marfan ocasiona em uma importante parcela dos pacientes problemas na aorta e na válvula mitral. Ambas estruturas possuem uma grande quantidade de fibrilina, proteína defeituosa na síndrome. A fibrilina forma parte das fibras elásticas e contribui na sustentação da parede aórtica e da válvula mitral, conseqüentemente todo paciente portador da Síndrome de Marfan deve ser avaliado periodicamente por um cardiologista, na procura de alterações, em especial na aorta e na válvula mitral.

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Comentários

Como lidar com jovem com a

Como lidar com jovem com a sindrome de marfan, na escola não se interessa pelos estudos, pois tem que chamar sua atenção por muitas vezes.

sindrome demarfan

me chamo marcia ,venho levando meu filho des d pequeno no médico ,com problemas de coluna e nunca tinhão me falado da sindrome ,sempre mandavam ele p/ fisioterapia e natação,somente ontem ja pelo terseiro ortopedista que me informou talvez ser a simdrome pelas caracteristicas fisicas do meu filho ele tem 16 anos e mede 185 d altura tem 53 klos, muito magrinho e temduas escoliozes,ele é super inteligente esta no3 ano e adora ingles é timido porem vem sofrendo muito , me corta o coração d ver a cada dia ele piorando e ñ poder fazer nada,gostaria de saber ok fazer e qual especialista ir para confirmar qria que ele tivesse a oportunidade de conheser outras pessoas c/ atal sindrome .segundo o ortopedista ele terá que fazer uma cirurgia da coluna p/ poder respirar melhor ,porque no futuro ele tera poucas chanses de vida devido um dos pulmões esta ficando comprimido, saimos do consultorio arrazados ,ele chorou muito eu ñ consegui dormi anoite,vou marcar uma psicologa p/ ele,por orientação dos trez medicos,mas ele ñ queria mas ja aceitou .

Síndrome de Marfan, investigar e não desesperar

Olá Márcia

Sei que não é fácil, nem para si, nem para o seu filho, receber a confirmação deste diagnóstico, mas a primeira coisa que tem de fazer é não desesperar. Infelizmente os diagnósticos nem sempre estão totalmente correctos e à primeira vista parece-nos mais graves do que realmente são. Por isso é importante que estejamos muito bem informados sobre o assunto.
Tente acalmar-se e depois pesquise um pouco sobre o síndrome. Uma pessoa com este síndrome consegue fazer uma vida perfeitamente normal, a menos que seja afectado na sua forma mais grave.
Pelo que sei, o síndrome revela-se pela anomalia no conjunto das três áreas: estrutura óssea, visão e cardíaca.
Penso que a nataçãoé o melhor remédio para os problemas ósseos.

Muita força
NSousa

sindrome demarfan

me chamo marcia ,venho levando meu filho des d pequeno no médico ,com problemas de coluna e nunca tinhão me falado da sindrome ,sempre mandavam ele p/ fisioterapia e natação,somente ontem ja pelo terseiro ortopedista que me informou talvez ser a simdrome pelas caracteristicas fisicas do meu filho ele tem 16 anos e mede 185 d altura tem 53 klos, muito magrinho e temduas escoliozes,ele é super inteligente esta no3 ano e adora ingles é timido porem vem sofrendo muito , me corta o coração d ver a cada dia ele piorando e ñ poder fazer nada,gostaria de saber ok fazer e qual especialista ir para confirmar qria que ele tivesse a oportunidade de conheser outras pessoas c/ atal sindrome .segundo o ortopedista ele terá que fazer uma cirurgia da coluna p/ poder respirar melhor ,porque no futuro ele tera poucas chanses de vida devido um dos pulmões esta ficando comprimido, saimos do consultorio arrazados ,ele chorou muito eu ñ consegui dormi anoite,vou marcar uma psicologa p/ ele,por orientação dos trez medicos,mas ele ñ queria mas ja aceitou .

Comentário - Marfan

Gostaria de parabenizá-los pela excelente explanação do assunto. Prático, objetivo e cuidadoso com as explicações, facilitando tanto nossa leitura quanto à da população em geral.

Márcia Marinheiro
Residente de pediatria

Gostaria , também de dar os

Gostaria , também de dar os meus parabéns pelo artigo. Infelizmente em Portugal ainda não se fala muito desta sindrome da qual sou portadora, e acerca da qual nunca me falaram muito. Uma grande parte daquilo que sei fui tentando pesquisar e procurar por incentivo próprio.
Embora as minhas idas aos vários médicos tenham sido constantes desde que descobri que tinha a doença. Agora apenas sou consultada pelo oftalmologista e faço exames periodicos ao coração.

Dentro do azar, tive a sorte de não ter umas das mutações mais graves embora tenha medo do que possa surgir daqui para a frente, pois o meu problema na coluna não era muito grave e de um momento para o outro (ha relativamente pouco tempo) fiquei com uma omoplata mais saida do que a outra, o que me provoca desconforto, tanto a nivel psicologico/ estetico, como na minha forma de estar uma vez que tenho muitas dores nas costas e em relação á qual os medicos me dizem não poder fazer nada.

Com os melhores cumprimentos

olá meu nome é Vanessa e

olá meu nome é Vanessa e tive a confirmação de que sou portadora da sindrome a pouco tempo e tenho sérias complicações na vista e tb na parte ligamentar já fiz cirurgia para estabilizar patela ... e gostaria de saber se as doenças já são determinadas ou se elas podem ser adquiridas ao longo da vida ...
Obrigada

Gostaria de conhecer pessoas com Síndrome de Marfan

Vanessa, gostaria de saber como vc está, meu nome é Edilberto e minha irmã foi vítima da Síndrome de Marfan, queria saber como vai a sua saúde, se vc está fazendo os exames corretos.

Gostaria de manter contado com vc, e saber como está sendo o seu acompanhamento. Grande beijo e abraço. Nunca deixe de sorrir diante das dificuldades.

Gostaria de saber se existem outras pessoas que eu possa nem que eu possa fazer uma visita para dar uma lição de vida que foi a minha irmã vitima da Síndrome de Marfan.

Abraço para todos.

Edilberto

Síndrome de marfan

Bom estou conhecendo a sindrome através do site de vocês, cheguei a poucos minutos da oftalmologista de minha filha que tem dois anos e meio, e o diagnóstico que ela me deu foi que a Izadora tem uma luxação de cristalino.
Expliquei pra ela que a Izadora tem um manchinha ao redor da menina dos olhos desde que nasceu, passei por dois outros oftalmos e eles me falaram que era falta de coloração.
Resolvi procurar um novo médico pois a Iza começou a ficar estrábica do mesmo olho que tinha a tal pouca coloração e a médica constatou não ser pouca coloração e sim uma luxação. Me dando então a quase certeza de ser sindrome de Marfan.

Lendo os comentários fiquei com medo de o que parece estar por vir, pois ela é tão saudavel que me extremesse pensar que pode ter algo além de um estrabismo.

Amanhã mesmo estarei procurando uma geneticista pra afirmar se realmente é Sindrome de marfan ..
Desculpem o desabafo
Parabéns pela matéria ,foi muito esclarecedora ..

Isabel

Síndrome de Marfan

Olá Isabel...
Eu também tenho uma manchinha em um dos meus olhos igual a sua filha.
Eu fui no oftomologista e ele disse que e tipo uma manchinha de nascensa.
Creio que não seja isso.

Vamos conversar!!!!

MSN: claraana-98@hotmail.com.br
E-MAIL:

bjs

Síndrome de Marfan é grave?

Eu li o artigo sobre o síndrome e gostaria que dissessem algo sobre a gravidade do síndrome.

Estou preocupada...

Para o próximo ano vou receber um lindo menino de 6 anos, com a Síndrome de Marfam, gostaria que me orientar mais, e quais os cuidados que tenho que ter em relação a criança num todo no ambiente escolar?
Agradeço sua atenção,
Obrigada!

Síndrome de Marfan

Olá o meu nome e Ana Clara e eu tenho 10 anos.
O médico disse que estou com suspeita de ter a síndrome de marfan.
Eu estou inconsolável.
Choro o dia inteiro e ainda mais que eu tenho computador em casa eu entro na internet e fico mas de horas pesquisando sobre a síndrome.
Eu queria saber se tem algum tipo de remédio... sei lá mas que cure a síndrome.
A síndrome de Marfan tem cura?
A e eu ja ia me esquecendo eu tenho problema de vista eu tenho muitas dores de cabeça.
Pf me ajudem quem saber me responda pf!!!
Estou resando por vcs todos que vcs sejam muitos felizes e que superem a síndrome.
Muito Obrigada
OBS: Por favor eu queria que me respondesem pelo meu e-mail.
E-MAIL: