Está aqui

Áudio-descrição: Opinião, Crítica e Comentários - blog de Francisco Lima

Quando se tem áudio-descrição: uma pitada da história!

por Francisco Lima

Prezados,
Uma casa não se constrói com apenas um tijolo, uma jornada, com um passo.
Temos pesquisado a capacidade de a pessoa com deficiência visual fazer uso das imagens, já há duas décadas, ou quase isso, considerando que começamos nossos estudos no mestrado em psicofísica, na USP-RP em 1996.
Desde lá, trilhamos muitos caminhos e tivemos oportunidade de aprender com pessoas valorosas.
Hoje trago um relato sobre um dos eventos em que pudemos atuar, à frente de uma equipe maravilhosa, a qual fez a áudio-descrição simultânea de palestras várias, em um Encontro sobre acessibilidade e direito, nota dez!
Em breve, estaremos dando mais um passo na difusão do direito à acessibilidade comunicacional da pessoa com deficiência (www.enades.com.br) e esperamos ver mais da comunidade local e regional sem deficiência, diferentemente do que aconteceu no passado. Os tempos mudaram, a consciência social de responsabilidade e inclusão cresceu em nosso país e hoje sabemos que não há uma sociedade completa se nela, não tiverem todos igualdade de oportunidade e de condições para desfrutar dos bens e serviços disponíveis nessa sociedade.
Ao trazer este pedacinho da história, convido a todos que venham participar do I Encontro Nacional de Áudio-descrição em Estudo, a ser realizado em Colatina, ES, de 13 à 17 de janeiro de 2015.
Façamos nossa parte!
Cordialmente,
Francisco Lima

Como foi o evento com audiodescrição em Alagoas
Disponível em: http://www.blogdaaudiodescricao.com.br/2010/06/como-foi-o-evento-com-aud...

evento foi realizado pelo Procon-AL, por iniciativa de seu Presidente, o Advogado Rodrigo Cunha, que com muito bom senso, e boa vontade, consultou as próprias pessoas com deficiência, lideranças do movimento e pesquisadores sobre o tema, para que juntos traçássemos uma boa e eficiente estratégia de abordagem do tema.
Ainda que não integre o movimento de inclusão, de forma acertada Rodrigo respeitou o lema do movimento social de pessoas com deficiência: "Nada sobre nós, sem nós", organizando um evento em que foram abordados temas que brotaram das necessidades e dificuldades apontadas pelas próprias pessoas com deficiência.
Infelizmente, o empresariado alagoano não compareceu em massa, como desejávamos.
É constrangedor, mas apenas UMA empresária alagoana compareceu ao evento. Representada por Conceição, a Escola Espaço Educar demonstrou, mais uma vez, ser a frente do seu tempo, e merece divulgação de sua iniciativa, pois quando falamos de inclusão e acessibilidade não estamos pedindo favor nem piedade, e sim despertando as pessoas para que nela façam investimentos, pois quem oferece um serviço acessível, aumenta sua clientela pelo diferencial de seu serviço.
Quando pensarem em escola para seus filhos, portanto, vale uma visitinha à Escola Espaço Educar, que além de possuir um ambiente acessível, do ponto de vista da arquitetura, prepara seu quadro de pessoal para conviver e respeitar a diversidade, e se preocupa com que seus alunos absorvam esses valores, desde pequeninos.
É de se ressaltar que este foi o primeiro evento alagoano com audiodescrição, proporcionando uma completa acessibilidade para as pessoas com deficiência visual. Cerca de 15-20 pessoas cegas compuseram a platéia, e pela primeira vez experimentaram participar de um evento onde percebiam cada detalhe dos acontecimentos, pois em tempo real os audiodescritores da UFPE relatavam os acontecimentos visuais, traduzindo-os em palavras, para que as pessoas cegas se situassem no contexto dos acontecimentos e do local. Por meio dos fones de ouvido distribuidos entre os presentes, informações como a aparência, a dimensão, as cores, os móveis e a decoração do ambiente; a aparência física, as características, os trejeitos e gestos dos presentes; as imagens que integravam as apresentações dos palestrantes; e até a descrição das fotos vencedoras do concurso feito recentemente pelo Procon (num projeto desenvolvido com os menores infratores em Alagoas) foram descritas.
Neste particular, um agradecimento especial ao Prof. Dr. Francisco Lima e da Prof. Dra. Rosângela Lima, que juntamente com três mestrandos do Centro de Educação Inclusiva da UFPE, que ficaram em Maceió do domingo, 20, até a terça-feira, 22, articulando estratégias para realizarem a audiodescrição do evento e trazerem de forma definitiva este recurso de acessibilidade para Alagoas.
Além da audiodescrição de todo o evento, a equipe montou um pequeno stand no local, onde expuseram diversos itens e recursos em acessibilidade, realizaram demonstrações, orientações e pesquisa de receptividade dos usuários do sistema da audiodescrição e divulgaram a RBTV, revista eletrônica trimestral de tradução visual.
Evidencio que o Prof. Francisco, que é cego, se encontra em cadeira de rodas, pois se recupera de uma cirurgia na perna, realizada em razão de fratura que sofreu recentemente. Como se não bastasse essa dificuldade, para chegar em Maceió a equipe da UFPE percorreu justamente o trecho mais castigado dos municípios alagoanos que foram vitimados pela trajédia das chuvas e enchentes ocorridas há pouco mais de uma semana, o que não deixou de ser um risco.
Obrigada, Francisco, Rosângela, Gustavo, Andressa e Ernani pela doação.
A audiodescrição foi algo que me impressionou bastante. Por meio dela, eu percebi como venho sendo insensível e superficial para as coisas do mundo. Essa vida corrida e doída que nos invade sem pedir licença nos retira os momentos lúdicos e de contemplação. Escutando a narração dos audiodescritores eu renovei estímulos, sensações e a imaginação, que correu solta durante todo o evento. Me senti rejuvenecer.
Também agradeço ao Senai/AL, grande parceiro da inclusão social em Alagoas, idealizador e patrocinador do Projeto Alagoas Inclusiva, que na pessoa de sua Assessora de Educação, Nívia Andrade, não mediu esforços para dar suporte aos nossos eventos, inclusive fornecendo material, equipamentos, publicações e pessoal, para o sucesso do evento.
Um outro agradecimento, eu faço à Gilson Vilela, Fotógrafo e Intérprete de Libras, que representou o Senai no evento. Gilson está organizando a primeira exposição de fotos acessível em Alagoas, que se tudo der certo, ainda ocorrerá este ano.
Durante o evento, o Senai realizou uma consulta pública para constatar o interesse em que se realize em Maceió um curso para a formação de Audiodescritores. O Senai/AL tem interesse em montar um curso de formação de Audiodescritores em Maceió e já entabulou algumas conversas sobre esta possibilidade com a UFPE. Diversas pessoas demonstraram interesse em realizar o curso, o que reforça a possibilidade de que no mais tardar em 2011 tenhamos os primeiros alagoanos formados em Audiodescrição. Quem tiver interesse no curso de formação de Audiodescritores em Alagoas é só enviar um email para ritarita2000@gmail.com contendo o nome completo e um contato telefônico, que eu me comprometo em incluir na lista dos interessados.
Por fim, agradeço a Rosinha da Adefal e sua equipe, por acolher nossas sugestões sobre a organização do evento. A vereadora alagoana, embora já engajada em ações para o lançamento de sua campanha para deputada federal, doou o seu dia inteiro ao evento, participando de todos os seus momentos e inclusive promovendo esclarecimentos e prestando informações de grande relevância para o movimento, em razão de sua experiência como militante do movimento de inclusão.
Registro a presença do Psicólogo Naziberto Lopes, que coordena o Movimento pelo Livro Acessível e integra a Secretaria de Estado dos Direitos das Pessoas com Deficiência (SP). Naziberto foi um dos palestrantes do evento, trazendo aos alagoanos muitas reflexões a partir de sua experiência como pessoa com deficiência (Naziberto é cego), como consumidor e como militante do movimento nacional de inclusão.
Agradeço, pela presença, durante todo o dia, ao Professor Sérgio Coutinho, Advogado e Sociólogo, doutorando que no momento se dedica ao estudo do impacto da Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência (ONU) no ordenamento jurídico dos países do Mercosul.
Por fim, para que continuemos a refletir sobre a necessidade de que a audiodescrição passe a ser uma realidade em Alagoas (atualmente não temos NENHUM audiodescritor no estado, e nunca se tinha discutido o tema em nenhum evento), convido aos leitores a uma visitinha ao Blog da Audiodescrição, para que se conheça um pouco mais sobre o recurso e para que dele se tenha uma outra visão. Este blog é mantido por Paulo Romeu (que é cego, trabalha no Prodam/SP e participa da Comissão de Estudos sobre Acessibilidade na Comunicação, da ABNT). O blog se dedica à divulgação de novidades sobre a audiodescrição no Brasil.
Ah, e quase ia esquecendo: um agradecimento à Faculdade Fits, que mais uma vez abre as portas do seu estabelecimento, construído pensando em acessibilidade, para os eventos da rede de inclusão em Alagoas.
Fonte: Um direito Que Respeite