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Ser deficiente não é o fim do mundo - blog de Gato Silvestre

E depois do adeus

por Gato Silvestre

As primeiras palavras do poema que serve de letra à canção que foi senha da revolução dos cravos “Quis saber quem sou; o que faço aqui;”,” devem tantas vezes ter martelado o pensamento de quem por obra ou desventura do destino, um dia caiu num órgão que era simplesmente o mais importante lá do sítio.

Foi realmente uma autêntica balada do desajeitado esta canção de embalar que durante 3 anos nos foi cantada ao ouvido tentando adormecer-nos em toada de canto gregoriano interrompido de quando em vez por laivos de grito estridente quase soprano bem ao jeito do canto tradicional das raízes do intérprete.

Foi uma sinfonia em tom muito menor que foi sendo executada por uma orquestra em que o maestro tentava a todo o custo segurar uma batuta que lhe fugia das mãos como se tivesse vida própria.

E ali estava ele dando largas ao seu cantar enquanto a letra da cantiga lhe era soprada ao ouvido.

Cantaria até que a voz lhe doesse custasse o que custasse ninguém o calaria mesmo que letra e música não batessem a bota com a perdigota em trova de um vento que felizmente já passou.

Adeus zequinha até depois, chamo-te Zeca por sentir que entre os 2; não há mais nada pra dizer ou pra falar; chegou a hora de abalar…