Documentário registra escalada de deficientes visuais no Tibete

'Blindsight' mostra subida ao monte Lhakpa Ri, de 7.010 metros. Seis deficientes visuais são guiados pelo 1º homem cego a atingir o topo do Everest.

Do G1, com informações de agências

Erik Weihenmayer ao lado de Tashi na subida ao monte Lhakpa Ri (Foto: AP)

Erik Weihenmeyer, o primeiro homem cego a atingir o topo do maior pico do mundo, o Monte Everest (de 8.844 metros) e sete outros cumes, aceitou um desafio diferente em 2004. Ele guiou seis adolescentes deficientes visuais ao topo do Lhakpa Ri, localizado próximo ao Everest e de 7.010 metros.

Weihenmeyer havia recebido um e-mail de Sabriye Tenberken, uma indicada ao Prêmio Nobel em 2005 e co-fundador da entidade Braile sem fronteiras, uma escola para cegos na capital do Tibete, Lhasa. Os estudantes em sua escola se sentiam inspirados por Weihenmeyer e queriam encontrá-lo.

Mas ele tinha uma idéia diferente.

"Se esses garotos pudesse escalar seu próprio Everest, que mensagem poderia ser mandada ao mundo", disse Weihenmeyer.

A jornada de três semanas, seus perigos, sucessos e fracassos são registrados em "Blindsight", um documentário de Lucy Walker que terá lançamento limitado nos Estados Unidos. Com o magnífico Himalaia como cenário, o filme mostra o desafio dos seis jovens cegos em suas vidas diárias e nesta jornada. E também joga luz, sobre o Tibete, uma região em turbulência com a aproximação dos Jogos Olímpicos de Pequim.

"Nós somos cegos, mas nosso coração não é cego. O coração de pessoas normais é cego", afirma Tezin, um dos jovens cegos: Dachung, Kyila, Sonam Bhumtso, Gyenshen e Tashi.

Este último, de 19 anos, se torna a estrela não-oficial da trilha em meio às adversidades físicas e mentais. Nascido na China, ele disse que seus pais venderam-no a um casal quando a família seguiu para Lhasa para mendigar. Ele fugiu para escapar de surras e viveu na rua até ser recolhido a Braile sem fronteiras.

Durante a expedição, o topo se torna uma impossibilidade para pelo menos três do grupo que são mandados de volta após sofrer dores de cabeça e enjôo.

"Parte de mim se sentiu como um fracasso", disse Weihenmeyer. "Ter que mandá-los para baixo, eu queria fazê-los se sentir especiais e acho que eles sentiram o oposto."

O grupo restante permaneceu abaixo do cume do Lhakpa Ri por cinco dias mais e apesar de nunca ter chegado ao topo, houve uma sensação de vitória. "Todos criaram o seu próprio significado para essa viagem", afirmou Weihenmeyer.

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Cinema/0,,MUL362662-7086,00-DOCUMENTARIO+RE...

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