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Bailarinas deficientes visuais da Associação de Balé e Artes para Cegos Fernanda Bianchini durante apresentação de espetáculo: superação é lição de vida
Existe um mito em torno da cegueira que portamos que faz dela um monstro que ela não é. A cegueira não machuca, não dói, não limita tão radicalmente como pensam os que enxergam quando fecham os olhos por um minuto imaginando serem cegos, também não é doença. Acostuma-se com ela e o dia a dia é tão dia a dia que esqueço da cegueira e acabo por ver do jeito que "vejo" sem lembrar que não é visão! Depois de algum tempo de cegueira pode-se trabalhar, viver, ter todos os prazeres sexuais, emocionais e intelectuais que todos podem ter. Nosso problema não é entre nós cegos e a cegueira e sim entre ela e a sociedade.
Por Elizabet Dias de Sá
Em minha família, somos 8 irmãos dos quais 5 perderam progressivamente a visão. Sou psicóloga e trabalho como educadora. Sempre necessitei de recursos especiais em minha trajectória académica e profissional: bengala, guias humanos, sistema Braille, gravador, livros falados, ledores e computador tornaram-se indispensáveis em minhas actividades diárias.
Durante muitos anos, vali-me da máquina de escrever que deu lugar ao computador, cuja aquisição contribuiu decisivamente para uma maior produção e integração no mundo do trabalho. Utilizo o "dosvox", sistema interactivo que possibilita o feedback sonoro e o acesso directo à informação, sem a ajuda de terceiros. Faço uso do computador para redacção de correspondência pessoal, minutas, relatórios, projectos, edição de textos, cadastro de livros e de endereços. Leio e corrijo o que escrevo sem intermediários. Posso acessar os dados de meu interesse em um caderno de telefones ou uma agenda electrónica.
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