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O dia-a-dia de um cego. Maria de Lurdes vive sozinha em S. João da Madeira e trabalha no Porto. Para chegar ao emprego, ela tem que apanhar uma camioneta para o Porto e depois um outro autocarro que a conduz ao emprego.

Vídeo1 - Maria de Lurdes a caminho do trabalho/ Batalha, Porto

Para regressar a casa, Maria de Lurdes faz o percurso inverso: apanha um autocarro que a leva do Inatel até à Batalha, onde terá que apanhar uma camioneta para S. João da Madeira. Este caminho de ida e volta é feito diariamente por Maria de Lurdes.

Vídeo2 - Maria de Lurdes no Trabalho/ Inatel, Porto

A bengala é fundamental para a orientação assim como os ruídos e o próprio cheiro dos locais. O problema coloca-se quando as ruas e as estradas sofrem alterações devido a obras ou a qualquer outro motivo. Quando tal acontece, torna-se mais difícil para um cego conseguir orientar-se e saber exactamente onde está. Para colmatar estas dificuldades, existem os cães-guias, ajudas preciosas para os deficientes visuais, além de uma companhia sempre presente.

Para atravessar uma estrada, Maria de Lurdes tem que estar muito atenta ao ruído dos automóveis. Ela sabe quando tem ou não que atravessar pelo ruído do motor dos automóveis. No entanto, se estamos perante uma estrada sem semáforos, torna-se mais difícil saber exactamente quando é que um cego pode atravessar.

Em casa, Maria de Lurdes, faz a lida doméstica sozinha: cozinha, lava a louça, tira café e faz a limpeza. O sentido de organização é muito importante para um cego. Deste modo, Maria de Lurdes, arruma a louça, a roupa e todos os seus utensílios pessoais e domésticos segundo uma determinada ordem, ordem essa que é memorizada e servirá de guia para ela saber que objectos estão guardador em determinado local.

Vídeo3 - Maria de Lurdes a cozinhar/ Casa, S. João da Madeira

Vídeo4 - Maria de Lurdes a tirar café/ Casa, S. João da Madeira

Relativamente às combinações de vestuário e maquilhagem, Maria de Lurdes sabe exactamente que cor escolhe por uma prévia organização dos seus objectos segundo a cor. No entanto, neste aspecto é sempre necessário a colaboração de uma pessoa normavisual que lhe identifique inicialmente as cores de objectos novos ou dos que pretende comprar. A partir daí, o cego memoriza as cores e os objectos e ordena-os. O caos surge quando alguém, familiar ou amigo, arruma os objectos segundo uma ordem diferente, à qual o cego não está familiarizado.

Vídeo5 - como Maria de Lurdes identifica a roupa/ Casa, S. João da Madeira

Vídeo6 - termómetro

Vídeo7 - interruptor

Dentro de casa, Maria de Lurdes assinala os interruptores com uma marca em Braille para se certificar que apagou ou acendeu a luz. Do mesmo modo, ela identifica a sua medicação através de uma inscrição em Braille. Além disso, ela possui um conjunto de equipamentos adaptados aos deficientes visuais que sonorizam aquilo que o visor do aparelho mostra a qualquer normavisual, como por exemplo um termómetro ou uma balança.