A minha proposta de alterações ao acordo ortográfico
É lamentável que o novo acordo ortográfico não tenha vindo simplificar a língua portuguesa, onde a excepção continua a ser a regra básica, tendo na minha opinião, surgido mesmo algumas complicações que não existiam.
Antes de uma preocupação com uniformizar as diversas ortografias da língua portuguesa, dever-se-ia ter em atenção as maiores dificuldades que as pessoas encontram na escrita de palavras.
Uma das primeiras alterações que deveria ser feita é na múltipla diversidade de consoantes que resultam no mesmo som:
assim, todas as palavras que tivessem o som Z deveriam ser escritas com Z. Ex: Análize, fraze, caza, meza, Dezembro, azeite, despeza, Tereza, ezemplo, faze, cazino, empreza. etc.
O mesmo deveria ser feito com a letra S ou C (eu pessoalmente prefiro o S, mas seria uma questão a discutir) que deveriam ter sempre o valor de SS. Ex:
aseitar, pasado, pensar, apresiar, etc.
O som q deveria ser substituído pelo c, k ou q (pessoalmente prefiro o q ou k), sendo as outras duas removidas. exemplo: qaza, frequente, aqeser (ver nota abaixo), qente, arqa, jaqeta, qavalo, etc.
Nota: Pessoalmente defendo que o U mudo a seguir ao Q deveria ser removido, assim como o H mudo no início das palavras como por exemplo Enrique, omem, ospital, otel, ora, oje, etc.
A letra G deveria apenas ter o valor GUE. Assim, deveríamos escrever: gato, gerra (em vez de guerra), gitarra (em vez de guitarra, gosto aguentar, pinguim, figeira (em vez de figueira), etc.
Os sons GE e GI seriam apenas escritos com J. Ex.:
ajente, sujeito, majia, jinástica, jibóia.
Deveríamos utilizar apenas o x e não o ch. Assim: xávena, xá, maxo, fixa (em vez de ficha), fixeiro, fexar, xuva, xarope, enxada, inxada, xeiro, sendo os sons actuais de x substituídos pelas letras que lhes correspondem: ex: crusifiqso, fiqsar, aneqso.
Para quem achou demasiado chocante a minha proposta,sugiro que substituam apenas o valor de SS ou de qualquer S que não se encontre entre duas vogais por Ç ou por C antes de E e de I e que se colocasse apenas uma das letras (G ou J) antes de E e de I, só isso bastaria para diminuir bastante o número de erros ortográficos.
No mais, as restantes alterações que foram efectuadas no novo acordo poderiam também ser emplementadas, mas já que se faz um novo acordo, ao menos aproveitava-se para simplificar um pouco e não para complicar como acontece no caso do hífen. Por exemplo: porque não se escreve subrreptício se se escreve antirrugas no novo acordo. Eu sei que me vão dizer que é porque os RR se usam entre duas vogais,, mas não se poderia aplicar essa regra também aos grafismos?
E para quê manter o M antes de B e de P? Tenpo não é o mesmo que tempo?
Alguém poderá dizer-me (e não é mentira) que assim nos afastaríamos do Latim e de regras que têm a ver com o nosso passado e as nossas raizes, mas eu pergunto: rretirar o C de tecto e aspecto ou de objectivo não é afastarnos do nosso passado? Na prática poderemos dizer: obj'tivo, aspêto, têto, da mesma forma que dizemos teta ou espeto.
Mais algumas regras poderiam ser acrescentadas, mas creio que só estas que apresentei simplificariam muito a escrita e não deixariam margem para dúvidas.
Que vos parece?
Deixem comentários!

Comentários
re: proposta de acordo ortográfico
Submetido em Domingo, 08/11/2009 - 12:38 por Norberto SousaIsto de se andar a mexer no que está quieto tem muito que se lhe diga.
A nossa língua portuguesa é muito bonita e rica para andar a ser estragada com acordos que, oxalá, não passem do papel uma vez mais.
O problema dos erros de português não está na forma como as palavras se escrevem, mas como se as ensina ou no tempo que se dedica para aprender a escrever.
O português do Brasil é muito bonito, mas só oralmente. Desculpem-me os brasileiros, mas não gosto nada da vossa forma de escrever.
Quanto às sugestões deixadas aqui, bem.... substituir o q por k... leva-me aos arames! lol
Quanto ao G, toda a gente sabe, caso não saiba deveria saber, que este só é lido "gê" quando é seguido por um "E" ou "i". Portanto qual o problema aqui?
Reafirmo, o problema está na forma como se ensina e no esforço que se faz para aprender.
Deixem-se de parvoices e não estraguem a belíssima língua portuguesa!
Abraço
NSousa
Norberto
Submetido em Domingo, 08/11/2009 - 20:27 por TadeuTadeu
Tem toda a razão. Mas infelizmente o acordo já é um dado adquirido e nada podemos fazer. As propostas que apresentei foram no sentido de que, já que é para mudar que se mude alguma coisa que valha a pena. Não concordo em absoluto com o novo acordo, mas concordo ainda menos que se façam mudanças que não servem para nada. Se é para mudar, ao menos que mudem alguma coisa que se entenda para quê.
re: norberto
Submetido em Domingo, 08/11/2009 - 22:12 por Norberto SousaOlá Tadeu,
concordo com a sua discordância relativamente ao acordo ortográfico, mas repare que algumas das suas sugestões também não ajudam muito.
Sempre fui uma pessoa que gosto de estudar e aprender e por isso faz-me muita confusão quando se inventam desculpas para justificar os erros ortográficos. Só compreendo e aceito esses erros vindos de pessoas com algum tipo de ficiência cognitiva com alguma gravidade ou de pessoas com dislexia.
Só espero que o acordo tenha o mesmo sucesso que teve a reestruturação ortográfica na Alemanha, ou seja, na prática continua tudo na mesma, portanto resultado 0.
Concordo com algumas alterações pontuais de palavras, mas com um nível destes que torna a escrita portuguesa um autêntico nojo, NÃO!!!
Abraço
NSousa