Blog de Tadeu

Europeias: Universitários de Vila Real alertam para dificuldades em ir votar de cadeira de rodas

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Vila Real, 07 Jun (Lusa) - O acto de votar é uma tarefa simples mas nem sempre isso acontece, principalmente que enfrenta edifícios desadequados e escadas em cadeiras de rodas, como provaram hoje os alunos de Engenharia de Reabilitação de Vila Real.

Numa iniciativa original, o Núcleo de Alunos de Engenharia de Reabilitação e Acessibilidade Humanas (NAERA) da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) convidou os eleitores a tentarem votar de cadeiras de rodas, uma tarefa nalguns casos impossível.

Exemplo disso foi o caso do eleitor Manuel Miranda Brás que tentou votar de cadeira de rodas na mesa instalada na Escola Camilo Castelo Branco, em Vila Real. Logo na entrada deparou-se com uma grande dificuldade: "nunca conseguiria subir sozinho esta escadaria".

As mesas de voto da freguesia de São Dinis, no centro da cidade de Vila Real, estão instaladas no antigo liceu de Vila Real. Para chegar à porta de entrada do edifício é necessário subir uma escadaria com 11 degraus.

Manuel Miranda Brás, 66 anos, aceitou o desafio lançado pelos alunos, sentou-se na cadeira de rodas e deixou-se guiar até à mesa de voto.

"Estas iniciativas são muito boas. Mas se eu andasse de cadeira de rodas nunca teria conseguido ir votar sozinho", afirmou à Agência Lusa.

João Martins foi um dos alunos que ficou incumbido de abordar os eleitores

"Trata-se de um edifício público, uma escola, mas não é acessível a todas as pessoas. Por isso mesmo estamos a sensibilizar os eleitores para usarem a cadeira de rodas para terem a noção das dificuldades sentidas pelas pessoas com mobilidade reduzida", afirmou o estudante.

Mal foi abordada pelos universitários, Maria Manuela Menezes, de 81 anos, meteu a mão na carteira para tirar dinheiro.

"É preciso pagar alguma coisa?", questionou.

Um outro estudante, Abel Trigo, explicou que não estavam a pedir dinheiro pelo que a octogenária acedeu prontamente a sentar-se na cadeira de rodas.

Depois das escadas, a idosa foi guiada por um longo corredor até ao local de voto, pegou no boletim, colocou a cruz no partido da sua escolha, mas teve que contar com a ajuda do estudante que a empurrava para colocar o boletim na urna.

"Esta iniciativa é muito importante porque há muita gente que precisa de andar de cadeira de rodas. Eu ainda ando bem a pé mas, mesmo assim, também já sinto alguma dificuldade em subir sozinha estas escadas ", salientou Maria Manuela Menezes.

Entre muitas recusas de ir votar em cadeira de rodas, houve eleitores que nem sequer pararam para ouvir os estudantes, outros responderam "não, não, eu já trabalho com deficientes" ou "eu já tenho cadeira de rodas em casa".

Serafim Matos, 60 anos, também aceitou o desafio e considerou a escadaria de entrada como o grande dificuldade a ultrapassar, defendendo que o problema deveria ser resolvido pela autarquia.

O aluno João Martins respondeu que as autarquias também são responsáveis pela inacessibilidade de vários locais de voto para cidadãos com mobilidade reduzida, mas defendeu também que os partidos deveriam estar mais atentos a estas questões.

E "mais atenção" a estas questões foi precisamente o que prometeu o secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Ascenso Simões, que também vota na freguesia de São Dinis.

"É uma iniciativa muito relevante. Todos os dias nos vamos dando conta de novas dificuldades. Este Governo deu um primeiro passo com a introdução dos boletins de voto em Braille para estas eleições, mas ainda temos muito para fazer", reconheceu.

O presidente da Junta de São Dinis, Albertino Fernandes, ficou surpreendido com a acção de sensibilização e considerou ser "inadmissível" que alguns locais de voto não sejam acessíveis a toda a população.

A UTAD começou a leccionar, em 2007, a primeira licenciatura da Europa em Engenharia de Reabilitação e Acessibilidade Humanas.