Blog de Tadeu

Ser Homossexual é uma Questão de Opção?

Ser Homossexual é uma Questão de Opção?
Marcos Farias.

Quantas vezes ouvimos dizer, vemos na TV, lemos que uns devem respeitar a opção sexual de outros? Será que nunca pensaram na possibilidade de isso não ser uma questão de opção? É uma profunda falta de conhecimento
falar que isso se trata de uma escolha, como se alguém pudesse escolher ser gay ou heterossexual com um clique.

Homossexualidade não é opção. Eu vivi torturas sem ter com quem conversar durante muito tempo, noites de sofrimento no travesseiro quase toda a minha adolescência. Sempre foi algo abafado aqui dentro. Comecei
a perceber que sentia atração por garotos no início dessa fase. Não queria aquilo pra mim. Não entendia porque eu não me excitava com uma mulher tanto quanto eu me excitava com homem. Pensar num outro
cara era algo de me tirar do sério de tesão e de culpa. Não queria namorar mulheres porque não tinha vontade, enjoava e não sentia muito tesão.

Tentei, durante uns anos, esconder isso dentro de mim. Aí, vivi anos de sair, pegar muita mulher, tentando esconder de mim a minha própria realidade. Essa era uma realidade obscura, não queria ter contato,
tinha medo. Durante milhares de vezes pensei em querer ser um cara que se atraía por mulheres. Não conseguia e isso me rendeu noites de choro, decepção e solidão. Era como ir ao cinema, ver os casaizinhos
felizes e achar que nunca iria ser daquela forma, feliz do lado de uma garota. Até eu ter o meu primeiro contato com homem e quebrar a minha barreira de preconceitos foi difícil.

Depois, aceitar aquilo foi doloroso. Vivemos um dilema no início: ser gay e ao mesmo tempo não querer ser assim. A auto-aceitação demora. Quero saber se alguém nesse mundo gostaria de passar por isso, se
escolheria ser gay ou lésbica, se gostaria de sofrer assim, de passar por esses problemas?

A maioria das pessoas ainda acredita que se trata de opção sexual. É uma total falta de informação. A sociedade precisa mudar a sua mentalidade sobre isso. Nunca escolhi ser gay e se pudesse escolher, certamente
não iria escolher ser assim. Muitos problemas seriam evitados, muito sofrimento seria poupado.

Quando se é gay, tem-se que amadurecer 100 anos em 10 e muitas vezes sem compreender nada, sem ter cabeça pra isso. Já passou por algo semelhante? Ser involuntariamente alguém fora dos padrões?

Comentários

A vida se repete.

Concordo com vc tadeu, nunca foi uma opção. É mais uma imposição da naureza, sendo que ainda não descobri o porque desde fim.
Lendo o que vc escreveu, eu até me senti aliviado em saber que não foi só eu que passou por essa mesma situação. Só que vc foi mais corajoso e encarou uma mulher. Eu nem pra isso tive coragem. Vivi mais só, com minhas lamentações de ser um homossexual. Que "missão" dificil essa cara! É só sendo um homossexual pra se ter uma ideia do quanto é dificil ser assim. Digo que sou frustrado, por não ter experimentado um amor com uma mulher, namorar na praça, no cinema, fazer juras de amor... Já chorei no traveiro tbem incotáveis noites. Já rezei, já fiz promessas e nada de mudar esse sentimento dentro de mim. Agora, calejado, eu sei que não há como mudar. O negócio é encarar isso de frente e tentar viver a vida no pouco que me resta. Já perdi muito tempo... A única coisa que posso afirmar é que, se houver reencarnação, com certeza, nas próximas, quero ser hetero mesmo... Um abraço,

A ditadura da heterossexualidade

Por ocasião da Passeata do Orgulho Gay, no rádio, uma voz dizia: "Compreendo que uns gostem de homens e outros, de mulheres. Compreendo que indivíduos se reúnam para celebrar os valores que partilham. Mas não compreendo que crianças pequeninas, sem o arbítrio formado, influenciáveis, frágeis, sejam levadas por seus pais a esta espécie de evento". Então, a questão é muito simples. Ele admite que homossexuais existam e que se exprimam, mas devem permanecer segregados para que o efeito daninho de suas doutrinas não estrague o futuro de nossas crianças. Palavras que, sem dúvida, ficariam bem a um nazista. Um pouco mais e estaríamos a confiná-los em guetos e marcá-los com a Estrela de Davi.

Quando se crê que a homossexualidade é opção disponível tal qual o produto de uma prateleira, então, impedem-se as crianças de irem às passeatas e educam-nas para que aprendam a optar. Contudo, porque não se podem unir à celebração, aprendem que a homossexualidade é algo reprovável e porque são educadas com o preconceito bíblico, ao invés do amor ao próximo, aprendem a homofobia. A homossexualidade não é uma opção, mas a homofobia o é. Opta-se pela homofobia quando se faz piada da vida do colega de trabalho gay. Opta-se pela homofobia quando a televisão apresenta personagens homossexuais estravagantes e escandalosos.

Certo dia, discutia sobre o casamento entre homossexuais com um amigo advogado. Dizia-me: “Ora, ora, se duas pessoas do mesmo sexo desejam unir-se, então, que o façam. A lei não deve contrariar um fato social. Mas que o queiram chamar casamento é coisa que não concordo. Casamento somente se define entre um homem e uma mulher. O que se propõe é a união homo-afetiva”. Expliquei-lhe que casamento derivava de “casa” e independentemente de qual fosse o sexo dos consortes, a etimologia continuaria a fazer sentido e se a lei não define casamento de outro modo, é porque hoje não o admite entre pessoas do mesmo sexo. Não poderia designar por casamento, termo sagrado, o que lhe é tão repulsivo. Razoável lhe pareceu aquele termo comprido e que muito mais se assemelha ao nome de alguma doença desconhecida. Eis que para segregar os homossexuais batalha-se até mesmo na trincheira das palavras.

Não é preciso ter câncer para defender a causa dos que têm câncer; não é preciso ser soldado para defender a causa dos soldados; não é preciso ser protestante para defender a causa dos protestantes; não é preciso ser criança para defender a causa das crianças... então, por que não se admite que indivíduos heterossexuais defendam a causa homossexual? Será que não entendemos que, tendo orientação sexual diversa da nossa, ainda assim compartilham das mesmas necessidades de justiça, respeito e acolhimento? Mas ao invés disso, continuamos a proteger nossas crianças, a incutir-lhes o veneno da homofobia e a calar ante ao espetáculo que ajudamos a construir.

Oi Tadeu,Amado, com certeza

Oi Tadeu,

Amado, com certeza não é opção, ninguém em sã consciência assumiria tal papel para aguentar os preconceitos que sofre o que esta opção traz.
Ó mais dificil em lidar com tudo isso é a grande solidão que nos acompanha não é mesmo? Não há com quem dividir, não há direito para onde ir...um começo cheio de dúvidas e conflitos dividido consigo mesmo.
Pior é quando nos sentimos tão indígnos porque somos formados com o paradigma preconceituoso e trazemos conosco estes traços, então nos isolamos do mundo e criamos o nosso mundo. Nos afastamos de Deus e este é o maior erro de todo.
Porque o criador nos ama, e ama tanto!
Isso me ajudou muito, toda vez que uma dor beter em seu peito, permita-se ser amado por Deus. Ele realmente o ama e conhece toda a sua dor, sabe dos seus conflitos e dúvidas, coloque sempre sua vida no altar dele e permita ser guiado por Deus.
Grande abraço!