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Publicado em LERPARAVER (http://www.lerparaver.com)

Sinto que muita coisa muda

Por Anacristina
Criado em 15/04/2008 - 17:27
njar uma namorada porque a que ele tinha não prestava. Dizia que era a Cavernosa! Interpretei aquilo talvez como ciúmes, ou talvez o medo que ele fugisse do apartamento e que ela ali ficasse sem ele. A Cavernosa deixa-o e ela aproxima-se. E um dia as coisas acontecem acidentalmente. Marta vai visitá-lo a casa, quando ele tem o acidente de mota e ele deita-a… e não consegue dizer porque tem vergonha, porque não queria, porque a mãe não a intendia… e com esse acidente acabam por se juntar. Mas Marta sente que algo muito estranho se passa e vai tentar descobrir. Ausenta-se de casa misteriosamente, quase não fala com a mãe… e volta o amor maternal: “Tenho de o proteger…” Pede-lhe dinheiro e não lhe diz para quê. Mas um dia acaba por descobrir que seguiu o caminho da irmã acidentalmente. Marta vai ao seu encontro e vê que ele levou uma tareia, vê também que ele treme, está pálido e sente-se aflita porque não está mais ninguém, apenas ela para o salvar. E aí tudo começa. - Preciso de uma dose urgentemente! Marta chama a amiga Rita para lhe dar a dose… e a menina ajuizada perde o juízo. Pede-lhe para experimentar. Depois afirma que a sensação é boa. Quis parar, mas não conseguiu. Mais tarde, Diogo acaba por se tratar. Vai fazer a desintoxicação, mas Marta não tem coragem. Sente-se abatida, e aqui já diz: “Acho que já consegui perdoar-te.” Não é dito o fim da história, mas compreende-se que Marta acaba também por morrer. Numa cessão de psicologia conta o seu sonho mais estranho. Fala de dois anjos que a transportam para o Alto com dois fios muito finos. Um deles funde-se. Daí a minha observação que Marta tem o mesmo destino de Joana. Porque ainda tem outra prova. No fim do livro há um diálogo, talvez entre os pais… um deles está a ler as cartas de Marta. E acaba assim. E porquê o resumo do livro? Olha, em primeiro lugar porque o li uma, duas, três vezes e ainda o apresentei numa aula de Português porque o adorei. Tive uma óptima nota na apresentação. Tive pena de não discutir a tatuagem em forma de relógio que marcava as onze horas… a chegada do pai às onze horas. O relógio parado simbolizando a sua ausência, a revolta da filha. E depois porque tem duas importantes lições: a primeira até decorei a frase: o sorriso tapa muitos buracos; a segunda, não digas “desta água não beberei”. Porque pode acontecer ainda mais depressa. Acho que é um livro acessível a todos, mas especialmente a adolescentes que viajarão no mundo íntimo de Marta e até se caracterizarão com ela. Li-o aos treze, aos quinze e no ano passado, para apresentar à turma Engraçado é que quando leio um livro nunca mais me esqueço dele… e deste então não me esquecerei nunca. Olha, por ironia li o livro quando estava na Gomes Teixeira e respirava-se um ar de tristeza porque duas alunas foram atropeladas, uma delas morreu na hora. Era uma colega muito conhecida da minha turma, fui para casa muito abatida e logo este livro apareceu contando a morte de outra… se calhar foi por isso que não me esqueci mais deste livro. Adequou-se àquele episódio desagradável. A colega morreu porque se descuidou, Joana morre porque descuidou-se nas drogas… tudo parecia bater certo… sei lá! Se calhar foi assim… E para hoje chega de Lua de Joana, de erros, etc. Estou cansada. Vou-me deitar.

Fonte:
http://www.lerparaver.com/node/7751