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Publicado em LERPARAVER (http://www.lerparaver.com)

Dica de excelente peça de teatro, em curta temporada em São Paulo

Por Marlon
Criado em 28/02/2008 - 03:27
Está em cartaz, no centro cultural São Paulo , o espetáculo H.E.R.O.I.S. O que é um herói? Protagonizada pelo ator Vinicius Piedade e pelo pianista Manuel Pessoa, a peça mostra a outra face dessa questão. Será que a medíocre definição comum do que é um herói é tão completa assim? O monólogo apresenta duas histórias visceralmente interligadas por um fator: o desespero e a fúria de pessoas que precisam de uma rápida saída para se salvarem, em um ambiente opressor e sem perspectivas. A maneira pela qual os protagonistas lidam com este cenário perturbador nos faz refletir sobre como reagir heroicamente a situações que, se não são clássicas, do tipo a mocinha raptada a espera de um salvador, nos mostram, sob uma perspectiva muito mais próxima da realidade, como pessoas comuns se sentem e reagem, heroicamente, quando são colocadas frente a circunstâncias cada vez mais desesperadoras. No primeiro texto, escrito por Saulo Ribeiro, um presidiário está vivendo uma semana que pode ser decisiva para a sua vida. Seus pensamentos, sentimentos e sua capacidade crua e dura, heróica, de questionar e enfrentar os acontecimentos recentes, convidam a uma reflexão sobre a vida, as atitudes e a liberdade de todos nós. No segundo texto, escrito por Aline Yasmin, um cego é posto frente a lembranças de acontecimentos passados que o prenderam, ou antes que o envolveram em uma prisão da qual ele, meio conscientemente, não deseja totalmente ser livre. A liberdade, aqui, assume um papel complexo e fundamental para seu futuro, mas toda esta agonia, esta indefinição, a sua condenação ou a sua libertação, depende de um momento, uma aparição, uma presença, e esta presença acontecerá nos próximos momentos ... ou não. Como passar os últimos instantes de espera e expectativa para enfrentar a liberdade ou a continuidade desta prisão enervante e torturante? Como sentir, exprimir, contar e expor esse dilema sem se utilizar de imagens, sem saber o que há exatamente ao lado, sem conseguir ver uma luz no final do túnel? H.E.R.O.I.S é uma peça forte, violenta, gutural. É difícil passar por ela e continuar incólume, sem questionar tudo o que nos cerca e, principalmente, ver o quanto de heróis cada uma das pessoas comuns pode ou não ter. As situações vividas, sentidas, absorvidas, quase a força, pela goela abaixo, socadas, enfiadas dentro de cada um dos espectadores obrigam-nos a repensar a vida, e o que cada uma das pessoas inertes nessa maça, nos trens, nas cidades, pessoas que nos parecem indiferentes, tem de heróis. O quanto, de fato, elas podem ser heróis, e se, por extensão, nós somos tão heróis quanto por vezes nos achamos. O diálogo do ator com o piano é constante, e desta combinação incrivelmente perfeita, todo o ambiente que envolve as duas histórias é criado, com uma realidade tal que se pode sente-lo no ar, ao redor, nos envolvendo, nos puxando, nos questionando. O tempo do espetáculo é de aproximadamente uma hora e vinte, e a peça está em curta temporada em São Paulo. Onde: Espaço cênico Ademar Guerra do Centro cultural São Paulo (rua Vergueiro, número 1000, a cem metros da estação vergueiro do metrô). Quando: Terças, quartas e quintas-feiras, às 21:00, até 20 de março. Marlon

Fonte:
http://www.lerparaver.com/node/7682