a pobreza
Por Anacristina
Criado em 07/02/2008 - 13:51
Olá, cá vai mais um texto da minha autoria. Serve também para reflectirmos no mal dos outros, na arrogância, e, como é dito no texto, a palavra tão horrível denominada por _pobreza
A pobreza
Pobreza… tanto para dizer sobre ela! Não só a falta de dinheiro, não só a falta de comer.
É a indiferença, a falta de compreenção dos outros, o viver em silêncio situações difíceis de lutar sozinho…
Não sei como definir esta palavra tão desagradável. Ao pensar palavra com apenas três sílabas, alembro-me de inúmeras coisas desagradáveis.
Enquanto estava sentada a pensar nestas coisas, entra o meu amigo Ricardo::
- Em que pensas? Talvez te possa ajudar.
- Olha, penso na pobreza. Não consigo terminar com a lista de desgraças… e cada desgraça, quando muito agravada, pode-se considerar uma pobreza, não é?
- Não sei. Mas talvez estejas certa, Ana. As ipidemias, os conflitos armados, a doença… e a falta de ajuda.
- Pois bem, se há tantas coisas para definir Pobreza, mais se torna necessário fazer com que esta palavra, que hoje é motivo de tanta reflexão, se torne um dia apenas uma recordação de momentos maus, mas que já passaram – disse eu, levantando-me.
- mas estás maluca? – gritou Ricardo – como vais fazer isso?
- Querido amigo, a iniciativa tem de passar por alguém.
- Pah! Tu e as tuas manias!
- Não são manias, são coisas úteis!
- Coisas úteis? Reflectir e saber o que é pobreza basta!
- Achas que sim? – comecei a irritar-me – achas que sim?
- Pois… para que vais andar a espalhar pelas ruas panfletos, caixas para pôr alimentos? Sabes lá se quem os leva não fica com eles…
- Sinceramente, Ricardo! Não vale a pena discutir contigo. A iniciativa tem de começar por alguém.
- Os do governo são responsáveis pelas campanhas… por amor de Deus… ninguém se vai lembrar do bem que fizeste aos desgraçados… eu prefiro ficar em casa a ver televisão. Enfim… estas pessoas, se se preocupassem com elas próprias, em vez de pensarem nos outros… Ana, Ana, vais perder o teu tempo com uma estupidez…
- Pois bem, Ricardo, se não queres ajudar, eu faço isto sozinha.
- Eu? Ah, ah! Sabes o que vou fazer? Vou ficar a ver a tua figura de parva… e ver os outros baterem-te a porta na cara.
Dizendo isto, foi-se embora. Amigo? Será amigo? Pensando no Ricardo, lembrei-me então que a pobreza também é falta de amizade, a presunção dos outros. Sim, a presunção dos outros, o orgulho, o ódio… e agora agradeço-te, Ricardo, por haver esta discussão. Porque me fizeste ver mais coisas para além dos conflitos armados, da fome e da guerra. Tudo é pobreza quando a falta é grande.
E fica sabendo que nunca, mas nunca ninguém me baterá a porta na cara. Fica sabendo que nunca me poderás humilhar. E eu farei uma boa acção. E quando vires que eu sou bem recebida, que mais tarde se lembrarão de mim, perceberás que estavas errado. E aí a tua inveja aumentará, tentarás estragar-me a vida, quando foste tão meu amigo. Pobreza é a falsidade. Riqueza não é o dinheiro, mas o nosso bem-estar. E, depois de fazer este projecto, que é ajudar quem mais precisa, enquanto tu esperas impaciente que algo me corra mal, ficarás pobre, porque os outros te olharão com indiferença. E eu ficarei rica por saber que os outros me reconhecerão. E nunca te direi “não” quando te arrependeres. Porque o amigo nunca nega.
Espero que todos sigam o meu exemplo!