Barrados no Braille - blog de joana belarmino

Sou Joana, Nascida na Fogueira de São João

Sou Joana, porque cheguei numa manhã de São João, no rescaldo das fogueiras, pelos passados de 1957. O Belarmino é do meu pai. Sobrenome pesado como um brinco grande, que eu carrego com muito orgulho.
Sou Joana Belarmino, uma mulher cega, de quase cinqüenta anos, jornalista, quase cantora, quase escritora, professora universitária.
Tenho um monte de sonhos não realizados.Queria driblar o medo e escalar montanhas. Queria encontrar um corajoso )a) que me convidasse a passear de ultra leve. Queria blogar. Aí botei minha filha Mariana no circuito e estamos aí, blogando!
Isso vai ser feito às apalpadelas, com muito cuidado. Espero interação, convívio, crítica, e tudo o que vier.
“Barrados no Braille” é uma provocação. Sou o que sou, simbolicamente falando, por causa do Braille. Aí veio a vontade de mexer com o relevo, com essa linguagem tátil. E depois, em 2007, estaremos comemorando cento e oitenta anos da invenção do Braille. Em 2009, estaremos vivendo o bi-centenário do nascimento de Luís Braille, inventor dessa escrita maravilhosa de pontinhos. Então isso vira homenagem, vira usina de palavras, vira festa e projeto! Então isso vira blog!

Comentários

Fogueira de sao Joao...:-)

olà Joana!
Também nasci no dia de sao Joao!...:-) Sou um carangueijinho por excelencia, sou uma filha do verao, adoro o calor, as praias e tudo o que tenha a ver com o tempo quente.Nasci no ano 1982, sou cega de nascensa, e também sou uma grande fan da nossa maravilhosa escrita braille. Sou capaz de passar um dia inteirinho a ler, e também adoro escrever, quém sabe um dia serei jornalista também...:-)
Adoro cantar, é das minhas maiores paixoes! E também sou uma sonhadora com montes de sonhos por realizar, mas como dizia o outro "O sonho comanda a vida...":-)
Bém, passear de ultraleve e escalar montanhas... isso tal vez vai ser sempre um sonho por realizar, mas bloggar jà é uma coisa bém mais facil de fazer, nao é tao perigoso e é muito saudavel!:-)
Gostei de te conhesser...
Vai ao meu blog no lerparaver o escreve-me para o mail cri.carvalho@bluewin.ch
Beijinhos!

Minha leitura de O Livreiro de Cabul

O Banho de Bibi Gul

Esta foi uma das cenas que mais me impressionou em “O Livreiro de Cabul”, de Âsne Seierstad. No Hamman, as mulheres da família do livreiro banhando-se da poeira e das sujidades de um dia a dia de burca e trabalho. Bibi Gul em transe, arcada sob o peso do corpo, a imensa barriga a ocultar o sexo por onde jorraram os tantos filhos que a encheram de orgulho!
Leila, a última filha, a esfregar o corpo com a luva caseira, a soltar o riso e experimentar pequenos salpicos de liberdade.
Eu diria que a escrita afiada de Âsne Seierstad é sensitiva, corporal, porque nos apresenta a transpiração de um Afeganistão duro e sofrido, com suas rachaduras, suas lutas e uma dominação patriarcal de ferro. Uma escrita a nos entregar um estranho mundo feminino quase sem imagens, circundado pela ditadura da burca, um estranho mundo tecido quase que pelo cheiro entranhado da respiração de cada uma, um estranho mundo experimentado às apalpadelas, nas ruas lamacentas, nos tapetes estendidos para o jantar e o sono,
Um mundo sacudido cotidianamente pela guerra, de todos os lados.
O banho de Bibi Gul exala um dos raros momentos de ternura da narrativa exata de Âsne Seierstad. A cena final é mesmo bonita. Leila a esfregar o velho corpo da mãe, que assiste ao espetáculo dos seus próprios seios moles e enormes a balançarem para lá e para cá. Bibi Gul a sorrir, e a despertar o riso de todas as outras, no banho do Hamman.
Frescor de banho a se estiolar, no momento mesmo de vestirem as roupas sujas de antes, no momento mesmo de enfiarem a burca e o seu exército de cheiros.

Âsne Seierstad
o Livreiro de Cabul
Tradução de GRETE SKEVIK
3a EDIÇÃO
EDITORA RECORD
RIO DE JANEIRO - SÃO PAULO 2006

Li esse livro à pouco tempo...

Hoi! Li o "livreiro de Kabul" de Aasne Seierstad a pouco tempo. Também achei essa sena do banho no Hammam muito ternurenta, alias, gostei muito do livro, do portrait criado pela escritora daquela familia do Sultan. A Leila era uma menina com tantos sonhos, e tao pouca coragem para os tentar realizar...
E a Sharifa, coitada!... A mulher sempre dedicada regeitada pelo marido e trocada por uma menina mais nova...
Mas o que mais me tocou naquilo tudo foi o dilema do Mansur. O remorso por ter visto aquela sena com a menina mendiga e nao ter feito nada, a vontade dele de fazer a peregrinassao para se redimir do remorso que sentia, mas depois aquilo acabou por ser mais um trip onde ele viveu a liberdade que tanto anceava. Ele era um rapaz revoltado, vivendo na sombra do pai...
Beijinhos
Lirio branco

Olá Joana !!

Olá Joana !!

Bem, jeito para a escrita, é q não lhe falta !! lol
Eu tb sou aventureiro e corajoso, e portanto pode contar comigo !! lool
É claro q tb tenho os meus momentos maus, mas isso todos temos, né ?
Eu tb tenho um blog no lerparaver: Visão Diferente - blog de jfilipe !! lol
Não sou deficiente visual, mas tenho outras deficiencias e tenho muito convivio com pessoas invisuais !! lol

Beojinhos,
Filipe

olá joana

Joana gostei daquilo que escreveu por isso volte cá mais vezes pois escreve muito bem.

um abraço do Marciel

Obrigada

Pode deixar, querido Marciel, a escrita é minha arma, meu descanso, meu desafogo!

Força para continuar

Olá Joana, felizmente nascida num dia de S. João. Fico contente que cada vez mais pessoas adiram a esta iniciativa do blog e que aceitem trocar experiências, opiniões e muito mais. Sou Madalena, também produtora de um blog neste site e dou-lhe toda a força para continuar e enfatizar a grande importância dessa grande escrita que é o braille.
Posso dizer que o braille é a minha vida, o meu mundo e um gosto para mim. Adoro o toque daqueles pontos e é sempre melhor ler uma boa história do que ouvi-la numa voz sintetizada de computador. Espero por próximos posts, vou ficar atenta.
Abraço carinhoso,
Madalena Ribeiro

Suas palavras me incentivam!

Oi Madalena,
Eu tenho boa visão mas, há uns 2 anos tive uma idéia de fazer um display braille de baixo custo.
Devido à correria do dia a dia, só agora retomei o projeto.
Quando li que você prefere ler uma boa história do que ouvi-la, isso foi muito motivador para mim.
Gostaria de saber se você também iria apreciar ler o relevo das letras do alfabeto normal, da mesma forma que o braille.
Se puder, consulte alguns amigos que usam braille também.
Agradeço pela atenção.
Fique com Deus,
Milton Vilela

Leitura:

maryMilton, fiquei muito interessada nesse seu projeto e gostaria de saber mais sobre ele. Ler é uma das melhores coisas da vida. Penso sempre que se enxergasse, leria tudo que caísse na minha mão. O computador é maravilhoso, nos ajuda muito, mas nada substitui uma boa leitura!!

Assino em baixo!

Olà Madalena!

Assino em baixo tudo o que vc disse, para mim, o braille também é uma coisa estupenda sem a qual eu nao sei viver dezde que aprendi a ler. Também gosto muito de escrever com a Perkins, mas depois de ter apanhado varias tendinites nas maos mudei para o computador, sempre se tém de fazer menos força.:-) Este site é o maximo! Descubri à pouco tempo, mas agora adoro andar por aqui, é bom comunicar com outras pessoas num site bém assesivel para segos! A final o mundo virtual muitas vezes nao é nada facil para nos!:-) Os Blogs sao uma invensao maravilhosa, e a escrita para mim também sempre foi um canal de desabafo e de me comunicar com as pessoas e comigo mesma...:-)Vao ao meu blog neste site, e escrevam para: cri.carvalho@bluewin.ch.
Se alguém souber falar alemao também pode ir ao www.Luna-calliente.blog.de
Também ha là poemas do Castro Alves que eu adoro, principalmente os poemas abolicionistas!:-)
Beijos grandes!

Obrigada madalena

Obrigada, Madalena querida, pela carinhosa acolhida! Concordo contigo em relação ao braille! A nossa escrita pontilhada é o nosso maior legado cultural!
Um beijo, vou visitar teu blog!

Olá Joana! Sou grande

Olá Joana! Sou grande apreciadora do Sistema Braille.

Aprendi a escrever quando ainda era bem pequena, com 6 para 7 anos.

Achava lindo os 6 pontinhos. Uma coisa quase que mágica.

Me encantei desde o início do aprendizado.

Quando mais tarde, li a biografia de Luís Braille, penso que ele veio neste mundo com a grande missão de criar um novo modo de leitura para nós, deficientes visuais, abrindo assim, todas as janelas do saber.

Um grande abraço pra você.

Ah! Já ia me esquecendo.

A cidade onde moro, Rio Claro (SP), também aniversaria no dia de São João.