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Áudio-descrição: Opinião, Crítica e Comentários - blog de Francisco Lima

Áudio-descrição, Recurso de empoderamento

por Francisco Lima

A técnica tradutória da áudio-descrição, recurso assistivo de incontestável relevância para a inclusão da pessoa com deficiência visual é um gênero textual, cujas diretrizes incluem procedimentos específicos dessa área, desde a sua produção até a oferta do serviço ao público cliente. Essas diretrizes versam a respeito de como lidar com o público com deficiência visual, do atendimento a ele devido; da atenção para com suas necessidades de pessoa com deficiência; do respeito à a idiossincrasias de cada um dos clientes etc.

Enquanto tradução visual, a áudio-descrição não é áudio, embora mantenha relação semântica com o áudio, e não é descrição, embora traga da descrição constructos que servirão para esta técnica tradutória.

Na união da descrição com o áudio, na áudio-descrição, o visual descrito, daí falado, é significativamente diferenciado da descrição, tanto pela intenção comunicativa, quanto pela natureza eminentemente garantidora de direito à informação e/ou comunicação às pessoas com deficiência visual.

A áudio-descrição traduz as imagens e outros eventos visuais intangíveis (principalmente quando não são compreendidos unicamente pelo uso dos outros sentidos, a audição, o olfato etc.) em palavras a serem ouvidas diretamente, através da fala de um locutor, pela leitura sintetizada de um leitor de telas, pela comunicação oral de um professor que lê a áudio-descrição contida num livro ou mesmo pela leitura do próprio áudio-descritor que, em um cinema, por exemplo, pode ler as legendas de um filme em língua estrangeira etc.

Assim, não está no suporte a definição do que vem a ser a áudio-descrição, nem mesmo na similaridade que ela tem com a tipologia descritiva. A áudio-descrição é descrição, cuja finalidade é de ser verbalizada por alguém, gravada ou simultaneamente falada por pessoa ou meio eletrônico.

Uma característica importante e definidora da áudio-descrição é o fato de ela traduzir as imagens, sem que o áudio-descritor interprete a mensagem do evento visual, , o que significa dizer que um áudio-descritor não deve dar sua opinião pessoal do que está sendo visto. Ele é a ponte entre aquele evento visual e o sujeito cliente do serviço, devendo dar a este os subsídios necessários e pertinentes à sua compreensão.

Em outras palavras, um áudio-descritor não deve dizer o que ele acha; não deve oferecer suas inferências, mas deve dizer, sem censurar, o que ele vê, oferecendo ao cliente as ferramentas que lhes permitirá tirar suas próprias conclusões do que está sendo apresentado, com igualdade equiparada de condições disponíveis aos demais assistentes do evento visual.

O empoderamento do sujeito com deficiência visual, pois, é meta na áudio-descrição: não a mera descrição ou narração do evento.

Em posts anteriores, falamos da áudio-descrição, podendo o leitor interessado buscar mais subsídios nesses escritos. Também sugerimos a leitura da Revista Brasileira de Tradução Visual, gratuitamente disponível em www.rbtv.associadosdainclusao.com.br, em cujos artigos a áudio-descrição é ensinada, pensada e bastante discutida.

De fato, na seção "RBTV Apresenta" pode-se ler a respeito de áudio-descrição e muito mais no campo da tradução, seja visual, ou de idiomas.

Hoje, para que conheça mais sobre a áudio-descrição no Brasil, anexamos a este post uma clipagem de matérias sobre áudio-descrição no evento conhecido por "Palco Giratório", ocorrido em Recife Pernambuco, onde a áudio-descrição foi disponibilizada sob nossa orientação.

Leia, descubra e interesse-se pelo que estão definindo para o serviço de áudio-descrição para você.
Inclua-se nessa história!

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