11 de Setembro: Um dia para recordar
O 11 de Setembro é recordado por todos como o fatídico dia em que muitas famílias perderam entes queridos quando aviões apoderados por terroristas embateram nas torres gémeas causando a maior tragédia dos Estados Unidos da América.
No entanto, passados dez anos, esse dia trouxe-me muita alegria, porque foi o dia em que conheci pessoalmente a Céu num passeio a Lisboa organizado pela ACAPO de Viseu. No momento em que nos vimos, ou melhor, a Céu viu-me e eu toquei-lhe, primeiro muito timidamente, que confirmámos o quanto nos amávamos de verdade e que lutaríamos pela nossa felicidade, mesmo que aqueles que mais amávamos no início não estivessem de acordo, sobretudo que uma rapariga amblíope namorasse com um rapaz com dupla limitação sensorial.
Mas nós fizemos-lhes ver que era possível e hoje estamos juntos, temos uma menina muito inteligente e carinhosa, somos uma família muito unida e feliz.
Muitas pessoas devem ter ficado incrédulas a pensar como era possível um casal com estas limitações conseguir ter uma vida perfeitamente normal. Na verdade, nós somos como qualquer ser humano, mas é claro que temos uma forma diferente de adaptação ao nosso quotidiano.
Voltando ao dia do encontro. Não posso deixar de agradecer ao pessoal da ACAPO de Viseu, pois foi ele que nos proporcionou momentos inesquecíveis de namoro. Fomos ao museu nacional dos coches, um dos museus acessíveis a pessoas com deficiência visual. Pudemos tocar nos coches e apreender as suas dimensões reais. Todos adoraram e ficaram fascinados com os veículos e as peças expostos, algumas delas pertencentes a reis e princesas. Também fomos assistir a uma peça musical, mas eu estava surdo a tudo o que se passava menos à minha donzela.
Desde que conheci a Céu no Lerparaver que não parámos de falar um com o outro. Ela sabia das minhas limitações e como toda a gente pensava que eu não ouvia nada. E quando lhe telefonei ficou tão nervosa, mas depois percebeu que, afinal, eu ouvia com a ajuda de um implante coclear. Amei ouvir a sua voz, doce e linda.
Tornámo-nos confidentes e a partir daí não tínhamos segredos um para o outro. Com ela eu sentia-me completamente à-vontade e compreendido, apesar da distância física que nos separava. Mas nem por isso o nosso amor diminuía, pois aumentava de dia para dia tão certo e puro que nada nem ninguém nos conseguiria deter.
A Céu era tão significativa para mim e fez-me vencer os meus medos e saber do que era realmente capaz sozinho, bastava eu querer. Sempre fui extremamente dependente da minha família e dos outros e por isso nunca soube que era possível ter a minha própria independência e vida. Graças à Céu conquistei a minha confiança e descobri que podia fazer muitas coisas sozinho, tais como cozinhar e andar nos transportes públicos.
Eu também era muito significativo para ela e ajudei-a a vencer os seus medos de andar sozinha na rua. Quando vamos os dois na rua, ela sente-se protegida por mim. Acho que vão achar isto estranho, porque eu sou cego total e ouço mal e é ela que tem de me guiar. Mas ela orienta-se perfeitamente bem comigo, até já fomos ao Porto sozinhos, coisa que a Céu nunca tinha feito antes.
Isto para vos mostrar que quando se ama tudo é possível. A nossa deficiência passa a ser um problema insignificante, pois o que conta é o que somos por dentro.
Sou muito feliz com a Céu, pois amo-a e sou amado! Este é o dia mais belo da minha vida, apesar de fazer lembrar o atentado terrorista de 11 de Setembro de 2001. mas apesar disso também há coisas boas, porque hoje faz um ano que dois jovens com deficiências tão diferentes se apaixonaram e venceram as barreiras com convicção no amor sem limites.
Marco Branco

Comentários
quem diria
Submetido em Segunda, 12/09/2011 - 10:40 por jfilipeOlá Marco !
Quem diria heim ?
Confesso q no ínicio tb fiquei um bocadinho de pé atrás, mas de ano para ano, tenho cada mais certeza q a vossa relação irá dar certo ! lool
A Céu é uma molher doce, simpática, meiga ... adorei conhecê-la ... é pena q não nos encontremos mais vezes !
Caros amigos, esta é mais uma prova q apesar de deficientes somos capazes ... e muito ... basta querermos !
Força aí, e já sabem q podem contar com o meu apoio ! ;-)
Abraços e bjos