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re: Brasil e Audio Games
Submetido em Quinta, 24/05/2007 - 13:27 por MarlonA, os meus queridos compatriotas ...
Sempre iguais, sempre defendendo com garra e feroz ódio este nosso paiz que, afinal de contas, evidentemente dá a eles tudo de que precisam, desde educação especial de enorme qualidade até toda a tecnologia necessária para a acessibilidade gratuitamente, subsidiada pelo governo, claro.
Um dia irei conversar com alguém, possivelmente um psicólogo ou antropólogo, e ver se conseguem me explicar porque as pessoas amam e defendem aqueles que não lhes dão nada em troca, ao contrário se omitem e os prejudicam ou procuram fazê-lo o mais possível ... e o mais incrível é que isso se verifica tanto nas relações interpessoais como nas relações de povos com seus paizes ... a, mas tenho de responder o comentário de meu nobre leitor. Então analizemos:
Sidarta escreveu:
"É errado quando dizem que não há pessoas interessadas em audio games no Brasil, pois tenho uma grande variedade de amigos com a mesma deficiência que eu,
e todos gostam de, em suas horas vagas, jogar um pouco."
Tenho de dedusir, por pura falta de opção, que esta frase foi escrita em réplica ao seguinte trecho, escrito por mim:
"Essa é uma parte mais complexa da discussão, porque eu não diria que no Brasil, por exemplo, há um mercado suficientemente grande para justificar
a produção de interfaces acessíveis para jogos."
Assumindo-se que essas prerrogativas estejam corretas, tenho a dizer duas coisas.
A primeira é que eu lamento muito que as pessoas leiam somente trechos do que outras escrevem e saiam comentando e rebatendo. O seguinte trecho, também escrito por mim e na mesma entrada, te responde o porque é absolutamente correto, ao contrário do que você afirma, dizer que o brasil não seria exatamente um dos mercados mais interessants para chamar a atensão dos desenvolvedores de games do main stream para implementar nos jogos a acessibilidade:
"A acessibilidade deveria ser olhada como algo indispensável para tornar a informação universalmente disponível, mas hoje lamentavelmente ela é olhada como
um elemento a mais de mercado. Se for dar retorno ótimo, de outra forma sua prioridade desce muito no ranc de coisas a se fazer em um software."
Resumindo: hoje só se pensa em acessibilidade se o retorno for positivo. Você diria que muitos cegos no Brasil teriam condições financeiras para passar a comprar games se eles tivessem acessibilidade? Eu diria que isso é um desparate totalmente absurdo.
Portanto não adianta espernear e gritar aos quatro cantos da internet que no Brasil as pessoas são legais, que elas jogam e coisas assim ... o que interessa ao mercado é dinheiro, e qualquer pessoa minimamente familiarisada com educação especial aqui, principalmente com relação a deficiência visual, irá te dizer que a maioria dos cegos não teria condições de comprar jogos de mercado.
Por isso eu torno a insistir em que o caminho seria tornar os jogos feitos para nós acessíveis aos normovisuais ... enquanto os caras do mercado não se ligam que fazer os jogos deles acessíveis seria uma boa ... mas não por causa especificamente dos Brasileiros e sim porque outros deficientes iriam possivelmente consumí-los, mas majoritariamente em paizes desenvolvidos, o que geraria outro problema porque esses jogos não vem traduzidos para português, então a acessibilidade também não viria. Mas esse é um outro assunto.
A segunda coisa que eu tenho a dizer é a seguinte: Brasileiros, no geral, se gabam muito de coisas ruins e não produsem coisas boas... e não fique bravo (a) comigo, porque eu também sou brasileiro e portanto falo com absoluta tranquilidade ... Não seria hora de repensarmos um pouco esse tipo de atitude?
Marlon