Após três meses de testes entre 30 deficientes visuais, as bengalas-protótipo do projeto Bengala Amiga, uma parceria entre o Instituto de Integração Social e de Promoção da Cidadania (Integra) e a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), ganharão novo modelo. De acordo com a coordenadora do projeto por parte do Integra, Carmem Maria Lima, o peso e a medida serão reduzidos por sugestão dos voluntários, e a intenção é de que até o final do ano a produção das bengalas já deva estar a todo vapor. “Já temos pedidos de vários lugares do Brasil”, adianta Carmem.
Dotada de sensores eletrônicos, a bengala será uma poderosa ferramenta de segurança. Sua eficiência está num dispositivo de alerta que vibra a uma distância de pelo menos um metro e meio antes que o deficiente trombe com qualquer obstáculo que esteja acima da linha da cintura ou a 70 centímetros acima do ombro -- o que evitaria acidentes muito comuns. O dispositivo emite uma radiação infravermelha para detectar esses perigos altos até cinco metros de distância, como um telefone público, por exemplo.
O responsável pelo projeto na Caesb é o engenheiro e superintendente do Sistema de Manutenção do Sistema Produtor de Água, Virgílio Peres, e o acessório foi desenvolvido de forma voluntária pelo engenheiro Caio Morum. A idéia surgiu quando a presidente do Integra, Weslian Roriz, trouxe a idéia da Alemanha -- onde a bengala original chega a custar R$ 4 mil. A proposta do instituto, no entanto, é utilizar materiais de baixo custo e de fácil aquisição no mercado brasileiro para produzir as bengalas, repassando-as a preço de custo aos deficientes, que pode chegar a R$ 300.
O convênio entre o Integra e a Caesb foi firmado em março de 2006. Durante o evento, dona Weslian explicou que a iniciativa visa o conforto do deficiente visual que, por um motivo qualquer, não tenha se adaptado com o cão-guia. Na mesma ocasião o presidente da Caesb, Fernando Leite, adiantou que o objetivo é construir uma fábrica de bengalas. “A partir das sugestões dos deficientes que vão experimentar o acessório em primeira mão, vamos começar uma linha de produção de bengalas eletrônicas destinada a levar qualidade de vida para todos os deficientes visuais do DF”, assegurou. O projeto Bengala Amiga pretende, a médio prazo, tornar-se auto-sustentável.



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